segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

“Ser verdadeira exige coragem e simplicidade”


Estou angustiada. Muitas vezes, ou normalmente, eu não consigo perceber o motivo da minha angústia, mas hoje de alguma forma sei que estou angustiada por que ontem demonstrei minha fragilidade para uma pessoa que eu havia acabado de conhecer. Tenho dificuldade em mostrar minhas fragilidades.  Sempre me esforcei demais para aparentar forte. Agora, estou passando por um momento em que decidi que quero ser mais honesta e verdadeira, pois uma das coisas que mais me incomodava (incomoda) com a bulimia é o fato de tudo ser velado, escondido, em segredo, como se tudo fosse uma grande mentira.  Ao falar disto na terapia, lembro-me do meu analista me alertando: “Ser verdadeira exige muita coragem e simplicidade”. Não tem um dia que não penso nessa frase e na complexidade que ela tem para mim.

Coragem... Simplicidade... 

Então... tentei ter coragem, mas não foi nada simples.  Para ser honesta e verdadeira, para falar o que estava se passando comigo, eu rebolei, enrolei e falei, mas acho que não fiz isso de forma simples, e certamente não fui corajosa. Mas pelo menos, e mesmo com medo, falei a verdade sobre meu trabalho e minha licença médica. Estou de licença médica há um ano, devido à depressão, ao transtorno alimentar e à ansiedade generalizada. Para mim, estar de licença (por esses motivos) é extremamente embaraçoso.  Sinto-me envergonhada, julgada, vulnerável, fracassada e sem chances de refazer uma nova imagem. Sei que não deveria me preocupar com a minha imagem, mas me preocupo.

Odeio essa minha preocupação excessiva, exagerada e desproporcional com essa  “imagem”. Imagem de que eu quero??? De perfeitinha???? Que pessoa é essa??? Definitivamente não sou eu!!! Quanto mais eu vou atrás de uma imagem (emocional  ou física), mais eu sofro. Não preciso de uma imagem, preciso de mim. Sem espelhos, sem buscar no outro esse espelho da aprovação, preciso da minha própria aprovação. Mas isso é outro post...

Voltando a minha angústia. Bom, avaliando o fato de forma real, eu falei a verdade, mas não falei tudo sobre minha licença. Não falei sobre a bulimia. Não tenho coragem de contar para ninguém isso. Para mim, ter bulimia é algo extremamente vergonhoso, sinto-me bizarra, confesso.  Tenho uma dificuldade enorme de lidar com isso. Na verdade, ainda tenho muita dificuldade de lidar com o fato de ter tido depressão e ter que me afastar do trabalho, de não ter dado conta. “Como assim não dar conta????”  Isso parece algo que deveria estar fora do meu dia a dia, sabe? Algo inadmissível. Preciso aprender a lidar com essas coisas e a aceitar minhas dificuldades. E isso dói.

Tremendo (mais internamente que externamente), respondi a ela, após ser questionada sobre o que eu fazia da vida, que eu trabalhava para o governo, mas que no momento estava afastada. A conversa foi fluindo e ela foi me perguntando mais coisas. Falei muitas coisas que eu costumo não dizer a ninguém... Falei como foi difícil admitir para mim e, consequentemente, para o mundo que eu estava mal e fragilizada. Contei que não estava dando conta das tarefas de casa, de mãe e do trabalho sem apoio diário do meu marido (pois “tudo” ruiu na época em que ele passou um ano fora da minha cidade). Contei de como eu comecei a me sentir incompetente no trabalho (cometia erros e demorava a realizar certas tarefas). Falei da minha incompetência em casa (esquecia compras, pagar contas, etc). Contei que tudo piorou quando percebi que estava falhando como mãe, pois não tinha a paciência de costume com meus filhos. Eu estava exausta e irritada. O pouco tempo que eu tinha eu queria comer compulsivamente e vomitar (essa parte eu não disse para ela). Também não disse a ela que, para suportar a distância do meu marido e fingir que estava tudo bem, para suportar os erros no trabalho, as falhas em casa e a falta da capacidade de ficar feliz e contente com meus filhos e preencher a falta que eles sentiam do pai, eu passei várias noites em claro, comento tudo que tinha na minha geladeira e vomitando, comendo novamente e vomitando novamente, me sentindo culpada, querendo me punir e tudo começava novamente, tinha diarreias terríveis, me sentia fraca, cansada, com a memória ruim e exausta física e mentalmente.

Ela me deu os parabéns por ter tomado a decisão de ter “escolhido largar” o trabalho e ficado com meus filhos. Mas eu confessei a ela que essa decisão não foi fácil e nem foi uma decisão. Que cheguei ao fundo do poço para perceber que não estava legal. E que mesmo assim, mesmo sabendo que precisei realmente parar e me afastar, a minha vaidade ainda me pertuba. De uma maneira besta, infantil e torta, eu (por orgulho/vaidade) ainda me importo com o que as pessoas do trabalho estão pensando e com o fato de que provavelmente eu nunca mais terei uma posição profissional boa, pois afinal de contas eu serei sempre tachada como “a louca” que precisou se afastar durante mais de um ano por causa da depressão e ansiedade (imaginem se soubessem da bulimia...). Enfim, contei para ela que foi um passo difícil, mas necessário, que eu estava feliz de ter tomado, mas que ainda precisarei superar meu ego, meu orgulho, minha preocupação com o olhar do outro.

Prova melhor de que eu ainda preciso superar isso é que eu fiquei angustiada com o que ela ficou pensando de mim. Fiquei preocupada com o julgamento e interpretações que ela pode dar a nossa conversa. Fiquei preocupada com a possibilidade de ela conversar sobre esse assunto com outras pessoas. Será que sou tão importante assim???? Claro que não , mas meu ego acha que sim. Ele tem essa imaginação tão fértil em relação ao que os outros podem achar ou falar de mim...

Coragem e simplicidade: duas palavras com um significado tão denso ou seria tão simples? 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Vítima ou agressora?


Recentemente eu li um artigo sobre a violência silenciosa exercida pelo perverso narcísico. Eu não entendo nada de psicologia, não sou formada na área, apenas sou curiosa e adoro ler artigos sobre o assunto. Esse artigo mexeu comigo.  De alguma forma, eu reconheci o que estava sendo descrito no texto, consegui me ver como personagem do artigo, não de forma literal, não integralmente, mas, ao ler, lembrei das minhas relações e me senti ora vítima, ora agressora. Chorei, me deprimi, algumas fichas caíram. Como pude ser vítima e também agressora??? Sugiro a leitura do texto, qualquer tentativa minha de resumir o artigo poderia ser equivocada. Quero me afastar da situação de vítima em que me coloquei. Quero deixar de repetir a atitude que não gosto de sofrer, a de agredir, mesmo que de forma sutil, por insegurança, por narcisismo. 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mendigando amor


Em algum momento lá na minha infância eu entendi que eu precisava ficar doente para receber amor, carinho e atenção. Eu chegava a desejar ficar doente.  Muitas vezes eu ficava com febre.  Acho que, de certa forma, meu corpo adoecia como um mecanismo de defesa quando minha mente já não aguentava mais o sofrimento interno. Eu desejava apenas uma coisa: o amor materno.

Confessar que eu precisava do amor materno foi aterrorizante para mim. Levei quatro anos de psicanálise e chorei várias sessões seguidas para enfim conseguir sair com a frase: “acho que não me sentia suficientemente amada pela minha mãe”. Parecia que eles (meus pais) estavam lá me ouvindo. Senti-me má, ingrata, injusta, mimada, envergonhada, mal agradecida. Será que eu estaria sendo injusta? Posso dizer que ainda é muito desconfortável para eu pensar nisso. Sinto-me culpada por não ter me sentido amada. Mas o fato é que quando me lembro da minha infância e vivencio os meus sentimentos daquela época, percebo que eu não me sentia, de fato, amada, principalmente, pela minha mãe. Eu sempre achei que precisava fazer algo por ela, para merecer o amor dela, para compensar o “trabalho” que estava dando (eu não era fácil), para compensar as perdas que ela teve quando me nasci. 

Para aceitar e trabalhar com esses aspectos,  estou  vivenciando vários sintomas de ansiedade. Tem dias que sinto como se meu peito não fosse acomodar o ar que o meu corpo precisa. Parece que vou morrer. Sinto falta de ar e tenho a sensação de que não consigo respirar direito. No meu caso, tenho consciência que o que sinto é exagerado e que vai passar, mas tem horas que parece interminável.  É angustiante. Sinto uma tensão enorme no pescoço. Meu coração acelera. Além disso, sinto como se meu corpo tivesse vibrando por dentro, soltando uma espécie de descarga elétrica, como se fosse explodir, e tem horas que eu gostaria que ele explodisse. E então eu sinto raiva de estar assim. Fico com medo de ficar louca de perder o controle.  Sinto um nó na garganta e de certa forma esse nó me lembra como eu gostaria de vomitar para “aliviar” tudo!!! Sempre aliviei meus sentimentos dessa forma. Sempre foi a forma que eu consegui ficar no controle. Meu sintoma (bulimia) foi um “remédio torto” para aliviar esses outros sintomas da ansiedade.  

A verdade é que tenho vivenciado esse sentimento físico de ansiedade, angústia (ou sei lá o que), várias vezes ao dia, e não só quando penso na minha relação com minha mãe. Percebo que esse sentimento se repete em situações relacionadas a aceitação, amor e expectativas que tenho em relação a outras pessoas e não gostaria de ter, pois sempre fico me julgando.  Com certeza estou no meio do furação de ideias e me sinto confusa para chegar a algumas conclusões. Então, por enquanto, estou apenas especulando várias possibilidades, tendo insights e tentando não julgar meus pensamentos.

De certa forma para mim, eu utilizava a bulimia para me “fortalecer”. Bom, pelo menos era o que eu achava que eu fazia. Eu tinha a falsa sensação de fortaleza. De que eu não dependia de ninguém. Eu me sentia forte. Não dependia de amor, de carinho, de aceitação. Se eu ficava brava, usava a bulimia e me acalmava.  Se estava sozinha, a comida era minha companhia. Se estava ansiosa (nó na garganta), o vômito anestesiava essa sensação.  Se sentia tristeza,  uma comida quentinha,  me abraçava por dentro. E esse comportamento irritante e destruidor, que iniciei na adolescência aos 15 anos, para me “confortar”, foi se tornando um hábito, uma forma operante de viver, de lidar com tudo.

É fato que mantenho a bulimia ainda porque acho que ainda ganho algo com esse comportamento. A questão é:  a mantenho porque não consigo lidar com tudo, ou não quero lidar com tudo para receber atenção e continuar doente? O amor que mendigo é o amor que desejo? Conseguirei eu mesma me amar e suprir esse amor que tanto busco? Um dia estarei pronta para receber apenas o que vier e pronto?  

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Tempo


Há coisas acontecendo na minha mente e eu não sei ao certo se ela “mente” para mim. Tento colocar tudo em ordem, emparelhar meus pensamentos, mas percebo tanta coisa escondida ainda entre as coisas que já consigo enxergar. Uma coisa que eu sinto entre toda a confusão é o medo.

Medo. Eu estou com medo. Sinto um medo paralisante. Um medo bobo. Um medo infantil. Um medo agonizante. Não sei ao certo a origem do medo, no entanto reconheço tantos motivos e possibilidades para justificá-lo.

A bulimia sempre foi uma forma que encontrei para fugir do meu medo, agora tenho que enfrentar. Encarar minhas emoções e posso dizer que isso não está sendo algo confortável. Associado ao fato de ter que encarar de frente as minhas emoções, uma vez que não estou usando de forma tão intensa o meu TA (de 5 a 8 vezes ao dia), eu estou vivenciando uma fase bem difícil na minha análise. Tenho retomado questões dolorosas da minha infância, descobertos coisas e sentimentos que (ainda) não digeri, ou nem engoli. Quero vomitar tudo, mas sei que preciso de tempo para digerir certas informações. 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Confissão


Estou me mantendo presa no meu comportamento alimentar. Consigo perceber quase que diariamente que escolho a manutenção do hábito doentio (ainda que de forma menos intensa que no passado) do que continuar a minha trilha pela recuperação. Nem eu consigo me enganar com os motivos que estou inventando para mim mesma para a manutenção da mentira (pois manter meus comportamentos alimentares sem um esforço latente para sair deles me parece uma manutenção da mentira).


O que me mantem presa em minha mentira? Por que não consigo de fato abrir mão da compulsão/vomito que ainda acontece quase que diariamente em minha vida? Sei que já dei passos importantes nessa jornada, isso me faz apenas concluir que sou mais que capaz de dar mais este passo. Vivi momentos de torturas físicas para dar os primeiros passos. Lembro como foi difícil passar os primeiros 15 dias sem comer e vomitar durante o dia, pois todas as refeições que eu fazia eu vomitava, isso era o meu natural. Eu precisei viver um momento de sofrimento que, a meu ver, foi bem parecido com uma abstinência (veja o post que escrevi sobre isso).

E agora? Porque não consigo me esforçar e nem tento com tanto empenho como antes.  Porque me apego a essa doença como se ela fosse minha tábua de salvação?  Porque ainda acredito que ela é a única coisa capaz de me acalentar? Porque tenho tanto medo de perder isso? Porque tenho medo de ficar sozinha e não ter o minha válvula de escape para me ninar? Porque  tenho medo de perder a única ferramenta que sempre acreditei que me alivia a tristeza quando eu precisava? Porque tenho medo de perder minha ferramenta de controle mais precisa? Racionalmente sei que tudo isso é pura ILUSÃO.  Ela não me acalma, não me ajuda, não me acalenta, não me alegra, na verdade ela me ilude!!! Cada vez que utilizo a bulimia eu tenho a sensação de que dou um pause na vida e fujo dos problemas. Quando retomo a vida, simplesmente ignoro a sujeira, ela continua lá, mas estou “drogada” demais para me importar com ela.


"Mentira é o nome dado as afirmações ou negações falsas ditas por alguém que sabe (ou suspeita) de tal falsidade, e na maioria das vezes espera que seus ouvintes acreditem nos dizeres. Dizeres falsos quando não se sabe de tal falsidade e/ou se acredita que sejam verdade, não são considerados mentira, mas sim erros."



terça-feira, 2 de outubro de 2012

De "Expectativas" para "Sair do Armário" - Do outro lado da mesa

Olá, inicialmente, eu queria comentar sobre o tema expectativas: o que tanto quem tem TA pode esperar do seu companheiro quanto ele (ou ela) pode esperar de quem tem o TA.  Porém, eu obedeço às minhas intuições, e senti que será melhor começar pelo começo: sair do armário - contar para seu companheiro que você tem um TA.

Primeiro a minha história: um belo dia, cheguei na casa da Maria Interrompida e ela estava conversando com o pai dela no quarto. Chegou uma hora que ele saiu e disse que ela precisava conversar comigo. Naturalmente, eu achei totalmente estranho.  Estávamos menos de um ano juntos, já fazíamos vários planos para o nosso futuro, e aquela conversa parecia muito deslocada.  Entrei no quarto, sentei ao lado dela, e ela, insegura, com tom e cara preocupados me disse que tinha de abrir o jogo comigo, que tinha de falar a verdade.

Daí, ela me disse que tinha bulimia, inclusive me perguntou se eu sabia o que era.

Em seguida, ela chorou, nós continuamos conversando e eu deixei claro para ela que sabia o que era e que não sairia dali correndo, muito pelo contrário, pois eu até já desconfiava. Ao olhar para trás, percebo que foi um alívio para ela abrir-se para mim, quanto ouvir que eu a aceitava com o TA.

Onde eu quero chegar: seu companheiro ou sua companheira tem o direito de saber com quem ele está namorando, vivendo ou vai se casar. Em um relacionamento, a verdade é primordial, é a fundação da vida a dois, a estrutura sólida onde todo o resto se apoia.  Se a pessoa está com você e tem 2 neurônios, acredite, ela desconfia. Se tiver 3 ou mais, ela sabe.  E se está com você e não falou nada, é porque ela percebe que o assunto é delicado para você.

Digo mais. Supondo que ele nada saiba, que seja um completo ignorante, que não conheça da existência de transtornos alimentares ou ache-os tão distantes da realidade dele que sequer desconfia. Ora, ao silenciar sobre o assunto, você está evitando dar conhecimento a ele, está impedindo-o de entrar verdadeiramente na sua vida, está vivendo e fazendo com que ele viva na superfície do relacionamento, como se ele fosse um rio e os dois apenas boissem juntos - Um porque acha que o rio é raso, e a outra porque tem medo do que há no fundo.

Veja bem: não estou afirmando certezas. O cara pode cair fora ou continuar com você, ele faz as próprias escolhas. Só estou dizendo que é você quem escolhe entre viver com quem te ama e que te aceita com defeitos e qualidades, e que muito provavelmente vai querer te apoiar nas suas fraquezas e te fortalecer no que puder, ou então escolhe passar uma temporada com alguém até você cansar da mentira em que se enfiou.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Chega de boicote


Estou fraca!!! Não fisicamente dizendo, mas psicologicamente. Talvez, mentalmente, eu também esteja bem lenta... Percebo que meu poder de concentração e meu poder cognitivo dos últimos dias estão péssimos. Não estou conseguindo me concentrar em nada que estou fazendo. É como se minha mente não me respondesse.

Não sei se perceberam mais eu parei de atualizar a página “recuperação”. Quando eu criei está página minha intenção era que eu pudesse verificar o progresso da minha jornada rumo à recuperação e assim eu pudesse ter uma visão mais ampla do quadro como um todo. Bom, o último mês minha evolução não foi nada boa. Isso estava me gerando ansiedade e um sentimento terrível de frustração. Precisei deixar de atualizar aqui e de parar de contabilizar na minha cabeça o número de compulsões e vômitos na semana.

Eu já havia lido uma matéria muito interessante sobre o assunto, que mostra que a recuperação é um processo muito mais amplo do que o número de vezes que as crises ocorrem. A matéria alerta para o perigo de se contabilizar o progresso da recuperação por meio da quantidade de compulsões/vômitos. Ela mostra que o processo é formado de muitos outros fatores, como por exemplo, capacidade de se alimentar sem fazer restrição (3 refeições e 3 lanches); capacidade de comer alimentos "proibidos" (chocolates, doces, gorduras); aceitação corporal; capacidade de identificar uma compulsão e evitá-la; etc... 


Apesar de saber disso, eu me vi despreparada para enfrentar a primeira vez que percebi que eu estava piorando. Que ao invés de subir as escadinhas da recuperação eu estava ficando parada e que eu continuava comendo e vomitando uma vez ao dia e não estava mais conseguindo deixar de fazer isso durante nenhum dia sequer, como eu consegui no mês anterior. Me senti fracassada diante das recaídas e da minha “piora”.


Coloquei “piora” entre aspas pois tenho consciência que antes de começar meu processo de recuperação há cinco meses atrás, durante 20 anos da minha vida, eu comia e vomitava de 5 a 8 vezes diárias, todos  os dias então a minha “piora” é relativa. Se eu for considerar um período mais longo eu ainda estou melhor do que estava. Talvez seja meu negativismo gritando, “você não vai conseguir!!! Você é uma bosta!!!”. Sou eu me boicotando. (Quero fazer um post sobre isso)  

Estou vivendo esse momento negativo (pois estou longe de ser positiva). No entanto, hoje estou um pouco mais forte que ontem, um pouco mais otimista. Fiquei muito mal nesses dias que sumi. Mal a ponto de sumir daqui (boicote), a ponto de não conseguir pedir ajuda (boicote), a ponto de querer desistir de tudo (boicote). Mas como eu já disse lá atrás, minha vida chegou a um ponto que eu sei e tenho certeza que não quero mais a bulimia comigo. Não posso e não vou me boicotar. Parei, cai e estou levantando. Chega de boicote.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Um primeiro encontro - do outro lado da mesa

Antes de você começar a ler, deixa eu me apresentar. Não, não, você não entrou no blog errado. Aqui é o Mulher Interrompida da Maria Finding mesmo, mas se você for lá embaixo e ver os marcadores, perceberá que não e é ela escrevendo. Eu sou o marido dela, e por vários motivos, resolvemos que eu ia começar a escrever aqui, tratar dos assuntos que eu quero tratar e que, de uma forma ou de outra, estão relacionados ao meu dia-a-dia com a Maria.
Pra começar, deixa eu falar sobre bigamia. É bem chato ficar falando "minha esposa" pra lá e "Maria" pra cá, sabe por que? Porque eu sou monógamo por natureza, e esse não é o nome da mulher com quem eu me casei, a mãe dos meus filhos.  Tudo bem, eu entendo que a internet é uma exposição desnecessária e que ter um transtorno alimentar não é motivo de orgulho (tirando um povo aí que acha isso o máximo até perceber que a merda chegou na altura da boca), e que é mais seguro, mais cômodo, se esconder atrás de uma alcunha.

Eu repito: eu entendo.  E entender, me permite perceber que meu amor é um único "algo" que se divide entre essas duas mulheres, esses dois papéis que ela vive todos os dias: o de esposa com quem eu durmo e acordo, que é minha companheira, minha amiga, minha amada e desejada esposa, com quem eu insisto em tentar transar pelo menos umas 3 ou 4 vezes por semana. E o da Maria Finding, uma mulher que reconhece publicamente ter um TA e que é corajosa e tremendamente decidida a mudar a própria vida, que encontrou forças de um além que só ela sabe onde está, uma lutadora, uma pessoa sensível as vezes até demais, com uma percepção fora do comum. Uma brava mulher que passa 30 minutos escrevendo uma mensagem para alguém que ela acha precisar no facebook ou horas lendo sobre formas de achar uma cura.

Ressalte-se: ambas têm defeitos. Somados, dão provavelmente metade dos que eu tenho, mas eles simplesmente desaparecem frente as qualidades que as envolvem. E esta é minha percepção; como eu vejo as coisas; ou pelo menos como eu vejo as coisas agora.  Até porque se não fosse assim eu já tinha caído fora.

Então o chute na porta é simples e direto - pois dizem que as vezes eu sou grosso no jeito de falar - o assunto do blog não muda, mas muda a perspectiva. Enquanto a proprietária fala dela e bla bla bla, eu falo - DO MEU JEITO - de como eu me sinto quanto à bulimia e tudo que gira em torno dela, nosso cotidiano, do blog em si, dos reflexos disso tudo na nossa família, nos filhos, na casa, enfim, vai ser tipo um blog dentro do blog, sacou? Um assunto, duas visões. Na física diriam que isso é um prisma. Você não é burro, já deve ter entendido.  Mas só pra ficar claro, vai ser igual o closet da nossa casa. Ela tem umas quatro portas, e eu fico com duas gavetas. Agora: eu as arrumo como eu quero.

Em resumo então. 1, prazer em conhecê-la(o), espero nos encontrarmos por aqui. 2, não se incomode com os palavrões, eu que sou desbocado, não você. 3, não se incomode com minha opinião, mostra ela pro seu companheiro(a) e manda ele(a) vir conversar comigo.

Ah, o título original dessa postagem era "Minha Primeira Postagem", mas a Maria Finding pediu para eu trocar. Depois me conta o que você achou dela (e qual título você gostou mais). Pode meter o pau, viu?!.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Recomeçando


Dias difíceis, vontade zero de escrever durante os últimos dias. Apesar de não estar escrevendo nada, minha cabeça anda fervendo de pensamentos e análises.  O problema é que não estava conseguindo colocar no papel os pensamentos que muitas vezes estavam tão confusos e desanimadores.

Percebo que fugir do blog é uma negação ao meu tratamento. O tratamento da forma mais ampla, não apenas no que se refere ao comer e vomitar. É a concretização da negação ao meu compromisso de TENTAR, sem perfeição. De apenas tentar. Poderia justificar a minha ausência com a falta de tempo. Seria mentira se eu dissesse que estou com menos horas por dia, pois para todo mundo o dia tem 24 horas, o meu continua com 24 horas. A verdade é que ao escolher mudar para uma casa eu utilizo duas horas do meu dia no transito, o que me dá essa sensação de falta de tempo. Isso estava me deixando muito irritada. Mas eu escolhi isso, certo? Então preciso engolir meu choro e entender que tempo é prioridade, escolha.  Preciso conseguir me organizar e fazer o que posso dentro do tempo que tenho.

Fazer o que posso. O que posso e não o que quero ou como quero. Eis a questão. Deixar de lado o ideal e ter o real, o possível. Bom, dentro desse pensamento, resolvi escrever o possível hoje.

Ontem tive um dia bem difícil. Sabe aqueles dias que você se depara com milhões de situações foda da vida? Então, este foi o meu dia. Tive uma grande frustração e foi super difícil encarar isso de frente. Além disso, recebi milhões de mensagens duras do universo de que a vida é frágil e se a gente não cuidar dela ela escapa de nossas mãos. Senti uma tristeza enorme pelos acontecimentos que apareceram diante de meus olhos. Pensei sobre tudo e lembrei de mim, da minha dor, da prorrogação do meu sofrimento que, de certa forma, permito ocorrer. Tive raiva, ódio. Senti culpa, remorso.

Quantas vezes produzi efeitos negativos na minha vida e mesmo assim continuei a produzi-los? Quantas vezes ainda faço isso? Por que não basta saber as consequências físicas para parar? Porque eu preciso sempre chegar ao fim do poço, para só então alcançar o chão e dar meu impulso para voltar à superfície e enfim continuar a respirar???  Esse último mês, senti, novamente, na pele a consequências físicas da minha doença. Passei horas e horas no dentista. Me senti completamente idiota e impotente.  “Aqui, achei outra cárie”. “ Esse dente está todo comprometido, a cárie alcançou a raiz, teremos que fazer um canal.” “Aqui conseguiremos fazer uma olay.” “Aqui um bloco resolve.” “Restauraçao finalizada.” “Canal finalizado.” “Que pena, este dente também será um canal.”  “Vamos torcer para que não atinja a raiz.”

Sinto vergonha pelo que fiz com meu corpo. Mas sinto tristeza por não dar conta de parar de vez de fazer tudo que faz mal a ele.  Até tenho consciência de muitos motivos que me levam a manter meus sintomas, mas sabe-los ainda não está de fato fazendo com que eu consiga mudar de atitude da forma e na velocidade que eu gostaria. Odeio isso. Odeio ver meu dentes estragados, meu cabelo caindo, minha pele seca e envelhecendo mais rapidamente que das outras pessoas. Odeio minha gastrite, meu refluxo, prisão de ventre, perda de memória, arritmias cardíacas, fraqueza, etc.  Acho que pela primeira vez as consequências físicas me incomodam a ponto de eu dizer não quero mais. Talvez porque agora já está tudo fudido. Alguém vai acabar, basta saber quem vai acabar primeiro. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Vomitando uma dificuldade


Eu não estou legal, não mesmo. Tenho essa ridícula dificuldade de escrever quando estou nos meus momentos de “baixa”. Tenho uma dificuldade enorme de expor minhas fragilidades no momento em que estou vivenciando elas. Quando estou em dor profunda me isolo completamente, fico dentro do meu casulo e de lá não quero sair. Parece que ao expor um problema ele fica mais real e ai eu preciso encarar ele de frente. Não sei ao certo que minha mania de “sumir” enquanto vivencio um problema é uma forma de negação interna, se é negação externa (vergonha). Enquanto eu não exponho o problema, fico fingindo que ele não existe, fico dizendo para mim mesma, vai passar, logo vai passar. O grande problema é que pode demorar anos demais para ele passar, não quero esperar tanto tempo assim... Enquanto eu não encarar o problema eu não consigo trabalhar com ele, isso é fato!!!

Bom, não assumir que estou com problema, para mim, também tem muito haver com orgulho. Ual, eu sou muuuito orgulhosa. Odeio admitir isso, mas eu sou. Odeio mostrar meu fracasso, meu lado negro, meu lado B. Tenho medo dos julgamentos dos outros. Por isso, fico sempre preocupada em como devo ou não agir, mas, provavelmente, a maior crítica vem de mim mesma. Os julgamentos mais cruéis são meus.

Tenho vergonha desse meu “isolamento”.  É como um carimbo de “FRACASSADA” que tento esconder, mas está lá... gigante...  piscando em neon. Não conseguiria nunca escrever uma mentira, simplesmente para preencher os dias que não falo de nenhum sucesso da minha recuperação. Mas também não consigo aqui narrar os dias de meu fracasso (como tenho chamado os últimos dias). Minha mente está muito confusa, na verdade nem consigo entender direito tudo que tenho sentido e pensado. Estou bastante confusa, em relação ao que está me mantendo estagnada em meu processo de recuperação. Talvez esse também seja um dos motivos pelo qual eu não consiga colocar o que estou sentindo em palavras, pois não estou conseguindo entender ao certo o que venho sentindo.  Até mesmo as minhas sessões de analises tem sido confusas. Cheias de ideias soltas e insights, aparentemente, jogados e sem nexos. Posso entender que se trata de um processo lento e que preciso respeitar minha história de vida, mas é difícil não levar para o lado pessoal  e dói  imaginar que o problema pode ser muito bem EU.

Então hoje eu me forcei a escrever. E o que consigo, por hora, escrever é isso. A ideia do blog sempre foi escrever de forma terapeutica. Hoje comecei a vomitar um pouquinho dessa minha dificuldade aqui. Que esse lixo fique nessa privada. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O voo do beija-flor


Acabei de passar por uma mudança.  Uma mudança física, mudei de endereço. Nem preciso dizer o quanto mudanças são difíceis para mim, né? Tenho um pavor doentio e quase infantil de coisas novas. Tenho uma grande dificuldade de lidar com qualquer tipo de mudança. Para mim, a expectativa da mudança sempre é bem pior do que a mudança de fato, mas parece que eu sempre me esqueço disso a cada vez que eu tenho que passar por algo que está prestes a acontecer.  A sensação agora que comecei a me mexer é 100 mil vezes melhor do que quando estava paralisada, imaginando tudo de ruim que poderia acontecer nesta nova etapa da minha vida.

A minha mudança física veio paralela a milhões de outras mudanças que vêm acontecendo na minha vida. Talvez por isso ela tenha um significado especial. Durante muito tempo da minha vida fiquei parada, por medo. Mas também já corri desesperadamente pensando em alcançar o inalcançável. Minha sensação é que fiquei muito tempo correndo desesperadamente sem ir para lugar algum, assim como faz um hamster em sua rodinha de exercício. Quanto mais rápido eu corria, mais presa eu ficava na roda viva... Roda vida...  Roda presa...  Roda morte... E assim fiquei... Vinte anos.

Agora: uma esperança. Esperança de sair da roda da morte. Para que eu exercite a VIDA, no seu tempo, na sua velocidade. Não está sendo fácil. Me irrita ver tudo fora do lugar, caixas espalhadas, coisas a fazer. Me irrita, eu não ter dinheiro para comprar todos os móveis que eu desejo, todas os utensílios que eu gostaria de ter. Mas chega de birra e de mimo!!! Sou adulta e consciente das minhas limitações. Vou respirar o ar puro e escolher me divertir entre os caixotes espalhados e a bagunça ainda não arrumada.

Minha falta de paciência, minha dificuldade para tolerar o tempo, minha falta de respeito com o processo, minha incapacidade de suportar minhas limitações ficaram ainda mais evidentes.  Não há nada de errado em querer melhorar a condição atual, mas não aceitar o que sou, como estou, faz com que eu viva em sofrimento. Ao aceitar quem sou, como estou agora, sou invadida por um sentimento de gratitude pelo presente, isso me traz plenitude.

Bom, me mudei. Foi difícil. Fiquei quase paralisada no princípio. Agora estou lentamente desencaixotando tudo. Não importa se vai demorar mais que eu esperava para que a casa fique como eu quero. Já marquei um jantarzinho, com as 4 tacinhas de vinho que tenho, o resto das pessoas terão que ser virar com copos de requeijão.  Quando estou cansada, eu paro um pouco, vou para o quintal e curto o passarinho voando lindamente, sem pressa. As caixas não irão a lugar nenhum. Mas não quero perder o beija-flor dar seus lindos vôos pelo jardim!!!

Espero que este exercício da mudança renda frutos.  Que eu aceite também meu corpo, com suas limitações e suas imperfeições. Que eu não afaste os outros de perto de mim, apenas por achar que estou inadequada. Que eu curta o meu processo de mudança, que eu respeite meu tempo, meu limite, minha maturação, que eu consiga parar no meio do caminho, não para ficar paralisada, mas para viver, para sentir o ar fresco e curtir o vôo do beija-flor... 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Eu e a síndrome de Peter Pan?


Uso minha bulimia para não crescer. Será que é isso? Então, estes últimos dias eu estava me sentindo péssima, estava me julgando. Pensando sobre a minha recuperação, sobre o fato de estar estagnada no meu processo de recuperação. Estou passando por uma fase em que, aparentemente, eu não estou subindo os degraus da minha escadinha. O pior de tudo é que tenho pura consciência de estar parada. Isso me traz ansiedade e até raiva. Poderia arrumar mil desculpas para não dar os próximos passos, mas eu estaria em negação.  A verdade é que ainda estou presa em muitas “coisinhas” que sei que não quero mais ficar presa. Tenho certeza que não quero, mas ainda não consigo me libertar completamente. Estou vivendo uma luta interna.

Entre os aspectos que estão me mantendo presa ao transtorno alimentar está o fato de não assumir de fato, na sua totalidade, minha posição de mulher – MULHER com todas letras maiúsculas, mulher com curvas, desejada, mãe, responsável, mulher ADULTA, mulher feminina, mulher de verdade.  Quais são os “ganhos secundários” que tenho com minha bulimia? Quanto tempo eu gasto com meus rituais e fujo da vida, das minhas responsabilidades, da maternidade, das amizades, do companheirismo, para me entregar ao meu vício? Claro, posso até dizer que hoje fujo muito menos. Sim, é verdade. Estou de parabéns e sei disso. Sei que chegar até aqui não foi nenhum caminho fácil. Mas agora quero me concentrar em continuar, avançar. Já estou preparada para dar os próximos passos, mas continuo parada. Então vamos trabalhar com isso.  

Tenho percebido que, ao me envolver com meu TA, vou me escondendo do mundo. Fico mergulhada noutro mundinho, minha “Terra do Nunca”. Vamos ser realista: sim, eu me casei, tive meus filhos, tenho um bom emprego. Adoro ver minha casa arrumada, mas detesto arrumá-la, sempre que posso jogo esta responsabilidade para outra pessoa (no meu caso, para meu marido). Faço parte do trabalho, é verdade, mas se der eu deixo grande parte do trabalho para ele. E já utilizei muito, muito mesmo o meu problema para dizer que eu não dava conta, que eu não fazia mais por não conseguir. Sempre que algo novo aparecia, sempre que eu precisava assumir alguma responsabilidade eu fugia para a “Terra do Nunca”.

A parte difícil de admitir é que Peter Pan jamais existiria se não existisse uma Wendy. Eu abusei da minha bulimia para me vitimizar e buscar pessoas que fossem minhas “Wendys”. Foram pessoas que se encarregaram de fazer tudo aquilo que eu não fazia. E assumir isso é difícil demais. Precisei que meu marido estivesse um ano fora da minha cidade para perceber que meu mundo não estava funcionando.

Eu “abusava” dele sem nem mesmo ter consciência disto. Claro que eu faço várias coisas também no nosso relacionamento, não seria justo comigo dizer que sou uma completa desnaturada com a casa e com os meus filhos. Mas é verdade que me escondi diversas vezes atrás da minha bulimia. Por inúmeras vezes eu abandonei o barco da realidade e deixei que ele tomasse conta de tudo. Em alguns momentos quando eu achava que tudo estava difícil demais, complicado demais, chato demais, eu me afogava na minha compulsão, me perdia em meu transtorno e ficava tranquila, pois sabia que ele estaria lá.  Suportando tudo enquanto eu alimentava meu monstro, meu vício.

Nunca tinha me visto desta forma. Nunca mesmo. Nunca tinha me percebido como uma pessoa que não queria crescer. Sempre me achei madura. Apesar da bulimia consegui superar alguns obstáculos, me formei, passei em um concurso concorrido, me casei, tive dois filhos lindos, etc... Enfim, me sentia realizada e responsável pelo meu “sucesso”. Mas na verdade...

Conversar com meu marido sobre isto, pedir para que ele não fosse minha “Wendy”, foi uma das coisas mais difíceis que fiz na minha vida. Tive medo de perder minha ajuda, tive medo de perder meu apoio, meus ganho secundários, tive medo de perdê-lo. Mas isso foi algo que precisei fazer. A verdade é que de nada adianta eu conversar com ele e pedir que ele mude de atitude se EU não mudar a minha atitude. Primeiro porque ele afirma que nunca se viu nessa posição, que não se sente como “Wendy”, a responsabilidade de assumir a responsabilidade precisa ser minha. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Rumo à recuperação: segundo mês


Dois mês se passaram. Como vocês sabem, tenho bulimia há 20 anos. Antes de começar o blog e iniciar essa jornada rumo a cura do transtorno alimentar, eu comia compulsivamente de 5 a 8 vezes diárias e vomitava todas elas (veja gráfico - linha azul). Hoje, essa média diminui e minhas crises diárias estão cada dia menores (ver gráfico – linha verde).

Para meu controle pessoal, deixo registrado tabela resumo da minha jornada no mês de julho. Uso ela para que eu não perca a “grande figura”. Quando acho que estou fracassando volto e olho aqui. Vejo o que quanto já superei, então percebo que posso seguir. 



Processo de Recuperaçao
Dia
 Crises bulímicas
Exercícios
Observações gerais
01/07/2012
1
Descanso
Ansiedade, angústia, pensamento obsessivo.
02/07/2012
1
Natação - 30 min
Ansiedade, angústia, insônia. 
03/07/2012
1
Corrida - 1h
Ansiedade, angústia, insônia. 
04/07/2012
0
Descanso 
Ansiedade, angústia, insônia, raiva, alívio.
05/07/2012
1
Corrida - 1h
Ansiedade, angústia, insônia, raiva.
06/07/2012
0
Descanso 
Ansiedade, angústia, raiva.
07/07/2012
0
Descanso
Ansiedade, insônia, agitação.
08/07/2012
1
Descanso
Ansiedade, insônia.
09/07/2012
0
Natação - 1h
Ansiedade, melancolia.
10/07/2012
0
Corrida - 1h
Ansiedade.
11/07/2012
1
Corrida - 1h
Ansiedade, angústia, insônia, medo, tristeza.
12/07/2012
0
Descanso
Ansiedade, insônia.
13/07/2012
1
Natação - 1h
Ansiedade, angústia, insônia, raiva.
14/07/2012
1
Descanso
Ansiedade, angústia, insônia.
15/07/2012
1
Descanso
Ansiedade, angústia, insônia, raiva.
16/07/2012
1
Natação - 1h
Ansiedade forte, angústia, insônia.
17/07/2012
1
Corrida - 1h
Ansiedade forte, angústia, insônia.
18/07/2012
1
Natação - 1h
Ansiedade forte, angústia, insônia, tristeza.
19/07/2012
1
Corrida - 40 min
 Ansiedade forte, angústia, insônia, tristeza.
 20/07/2012
1
Descanso
Ansiedade forte, angústia, insônia forte, nervosismo.
 21/07/2012
0
Descanso
Ansiedade. 
 22/07/2012
0
Corrida - 1h
Ansiedade, insônia.
 23/07/2012
0
Corrida - 1h
Ansiedade, insônia.
 24/07/2012
1
Corrida - 1h
Ansiedade, insônia.
 25/07/2012
1
Descanso
Ansiedade, insônia.
 26/07/2012
1
Corrida - 1h
Ansiedade, insônia, nervosismo.
 27/07/2012
1
Caminhada - 1h
Ansiedade. (FID= 25)
 28/07/2012
1
Descanso
Ansiedade. (FID = 25) 
 29/07/2012
1
Natação - 1h 
Ansiedade. (FID = 30) 
 30/07/2012
1
Descanso 
Ansiedade. (FID = 30)