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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Buscando minha identidade

Fiquei muito tempo sem escrever. Eu estava precisando de um tempo. Um tempo para me conhecer. Os dias passados foram difíceis, no entanto bons, cheio de conquistas e descobertas.  Em termos de recuperação do TA, posso dizer que estou evoluindo. Não tenho crises há mais de um mês. 

Quem me acompanha sabe que venho de um processo de conquistas, lentas, mas conquistas. Eu tinha crises bulímicas diárias (entre 5 a 8) e a partir de maio do ano passado, quando iniciei o blog, comecei a luta pela recuperação. Inicialmente foi muito difícil diminuir a quantidade de crises, tive crises de abstinência, sofri muito (física e psicologicamente). Mas não havia mais como ficar onde eu estava. Minha vida estava insuportável. O sofrimento de conviver com aquilo diariamente estava insustentável. 

Naquele momento começava uma grande mudança. Mergulhei de cabeça na minha recuperação. Fui descobrindo as “mentiras” por trás do meu Transtorno Alimentar. Percebi quantas ilusões eu havia vivido. Percebi que eu passei muito tempo me fazendo objeto do desejo dos outros. Por isso não fui atrás dos meus sonhos, na verdade, eu fugia do que eu julgava ser um pesadelo (não ser amada ou não ser aceita). Eu acabei vivendo uma vida que julguei ser fruto desse desejo dos outros. No momento que essa ficha caiu, sofri muito. Senti-me como um personagem, em um palco, sempre representando para uma plateia. Claro que a metáfora aqui está exagerada. Mas foi assim que me senti. Senti-me mal. 

Senti-me como se eu não soubesse de fato quem eu era, sem o transtorno, sem o papel ora de “coitadinha”, ora de “fortona” (pois muitas vezes para mim o TA teve a função, no meu caso, de trazer a falsa sensação de poder, de equilíbrio, de controle, de fortaleza, de “dou conta de tudo”). Percebi que eu não sabia ao certo o que eu gostava, pois isso nunca foi baseado de fato em mim, mas sim em minhas escolhas sobre o que eu achava que os outros poderiam esperar de mim. E assim eu fui vivendo... Escolhendo, sem escolher... Me moldando de forma completamente distorcida. Claro que qualquer visão minha no espelho seria distorcida. 

Nesse momento, não sobra mais espaço para vitimização. Não quero dizer que tudo que fiz ou escolhi não foram escolhas minhas. Pelo contrário. Tudo, absolutamente tudo foi escolha minha. Tudo que fiz e escolhi, eu me responsabilizo. Eu decidi me fazer esse objeto dos desejos dos outros. Lembro-me das vezes, de tantas vezes, que eu fui eu mesma, mas me lembro também de tantas vezes que eu me escondi por trás do TA para “agradar” ou “não desagradar” os “outros”. E, é claro, isso também era eu, também é parte do que eu fui.
Para mim, me recuperar do TA, significa passar por uma reforma íntima. Passar por uma transformação. Não se trata de mudar apenas a forma de me alimentar. Significa vivenciar uma metamorfose na forma de agir, pensar e viver. Bom, pelo menos é como está sendo para mim. 

O tempo que fiquei ausente do blog foi uma época de muita reflexão. Várias características minhas negativas foram assimiladas e reconhecidas. Minhas fragilidades e limitações ficaram evidentes e eu comecei a aprender a aceitar e respeitar a mim mesma. Percebi uma ausência de identidade, uma ausência de saber meus gostos, minhas vontades. Tive necessidade de me afastar de pessoas que eu amo para conseguir me escutar. Ainda estou aprendendo muito sobre mim mesma. Aprendendo coisas simples, desde coisas como qual roupa eu gosto mais de usar (sem pensar nos outros), até o que eu gosto de fazer. Estou aprendendo a sentir, a ouvir, a acolher e a lidar com os meus sentimentos (antes tudo isso era anestesiado e ignorado pelo TA). Agora eu sinto cada, medo, raiva, angústia, alegria, satisfação, ansiedade. Estou aprendendo o que fazer e como fazer para lidar com cada sentimento que chega. Estou aprendendo mais sobre mim, sobre o que gosto, o que não gosto, sobre minhas limitações. Estou aprendendo de fato a me respeitar e me aceitar por inteira.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Tempo


Há coisas acontecendo na minha mente e eu não sei ao certo se ela “mente” para mim. Tento colocar tudo em ordem, emparelhar meus pensamentos, mas percebo tanta coisa escondida ainda entre as coisas que já consigo enxergar. Uma coisa que eu sinto entre toda a confusão é o medo.

Medo. Eu estou com medo. Sinto um medo paralisante. Um medo bobo. Um medo infantil. Um medo agonizante. Não sei ao certo a origem do medo, no entanto reconheço tantos motivos e possibilidades para justificá-lo.

A bulimia sempre foi uma forma que encontrei para fugir do meu medo, agora tenho que enfrentar. Encarar minhas emoções e posso dizer que isso não está sendo algo confortável. Associado ao fato de ter que encarar de frente as minhas emoções, uma vez que não estou usando de forma tão intensa o meu TA (de 5 a 8 vezes ao dia), eu estou vivenciando uma fase bem difícil na minha análise. Tenho retomado questões dolorosas da minha infância, descobertos coisas e sentimentos que (ainda) não digeri, ou nem engoli. Quero vomitar tudo, mas sei que preciso de tempo para digerir certas informações.