Mostrando postagens com marcador sem crise. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sem crise. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Rumo a recuperação - 8 meses sem crise.

Há oito meses que não uso os comportamentos do transtorno alimentar como fuga para minha vida.  Me sinto feliz com isso e, agora, posso dizer com segurança que não pretendo voltar aos velhos hábitos. Estar livre da bulimia tem sido para mim uma conquista. A busca por essa liberdade exigiu, sim, muito trabalho interno, coragem e humildade. Tive que lidar com várias dores, limpar feridas, e enxergar um lado meu que eu não queria. Fui conquistando lentamente o afastamento de tais comportamentos.

No meio do caminho, me deparei com fragilidades e tive que aprender a aceita-las (ainda trabalhando esse aspecto). Percebi como o mundo do transtorno alimentar me afastava da realidade e da minha verdade. Não, nunca foi sobre ser ou não gorda. Esse medo de engordar sempre foi uma fuga para que eu não enxergasse o que verdadeiramente poderia estar me incomodando. O medo de enfrentar a verdade é o que me prendia no transtorno alimentar. Coragem para enfrentar dores do passado e limitações do presente foi o que precisei (e ainda preciso em vários aspectos) para sair da bulimia.

Hoje me sinto distante do transtorno alimentar. Não consigo ver lógica para aquilo que eu fazia. Analiso minha vida e sei o quanto tais comportamento eram arraigados ao meu dia a dia e como eu considerava a doença parte de mim. Hoje não vejo a bulimia nada perto de mim, não sinto mais impulsos para retornar aos velhos hábitos. No entanto, ainda percebo como os sentimentos que me levaram a desenvolver a bulimia ainda mexem bastante comigo. E estou aprendendo a lidar com cada um desses sentimentos.

Hoje, procuro escutar a mim mesma, ouvir meus sentimentos, tentar entendê-los, desvenda-los, sem julgamentos. Me observo o tempo todo. Porque fiquei brava? Porque fiquei triste? O que da atitude do outro está tão ligado a mim que mexeu comigo, seja me irritando, me deixando impaciente? Qual é a percepção que estou tendo de um fato? Eu teria essa percepção se a mesma coisa acontecesse um ano antes?  E terei essa mesma percepção no futuro? O que esse fato diz sobre mim, hoje?   Essa auto analise tem me ajudado a me entender, me aceitar, com minhas limitações e me respeitar. A jornada é longa, mas é gratificante ir me desacorrentando do que me prendia.