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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Engula seu orgulho, ele não engorda!!!


Bom, acho que tenho que confessar uma coisa bem difícil, mas vamos lá: tenho muita dificuldade em pedir ajuda. Será que sou orgulhosa? Eu não me considerava uma pessoa orgulhosa, inclusive internamente, sempre critiquei pessoas assim. Mas peraí... me avaliando, analisando a forma com que eu uso meu transtorno alimentar, vejo que me agarrei muitas vezes ao TA (de certa forma) por orgulho e arrogância.

Pode até parecer confuso para alguém que não conhece a fundo os motivos que podem levar alguém a utilizar o transtorno alimentar. No meu caso, eu usei (e ainda uso) a bulimia para esconder minhas fraquezas e para não precisar pedir ajuda. Por medo, por vergonha e também por falta de humildade. Por mais contraditório que pareça, minha bulimia se tornou um escudo, uma proteção contra as pessoas. Meu orgulho e minha arrogância me levaram a fazer tudo sozinha, utilizando para isso minha “varinha mágica”: a bulimia. 

Quando eu me sentia fraca ou desprotegida, era para a bulimia que eu pedia “ajuda”.  Eu tinha a falsa sensação de independência, achava que a utilizando eu estaria mais poderosa, forte, competente, segura, equilibrada. Tudo, tudo mentira!!! Quanta ilusão. O meu orgulho e a minha arrogância em querer esconder de mim e dos outros minhas falhas me transformaram em uma pessoa vulnerável, fraca, insegura, desequilibrada, egoísta, mentirosa.  O feitiço da “varinha mágica” se virou contra o feiticeiro.

Agora estou aqui, perdida. Me sinto neste imenso vazio. Descobri que minha fortaleza foi construída com tijolos de vidro, e de tão frágeis, só restaram cacos espalhados pelo chão. Preciso limpar a sujeira que restou, colher os cacos que sobraram e torcer para que nenhum inocente seja ferido ao passar por este caminho cheio de estilhaços quebradiços e cortantes. 

Claro que largar o transtorno alimentar me traz medo, insegurança e me dá uma sensação de vazio. Mas o meu TA estava aumentando ainda mais estas sensações. Não posso mais vender minha alma. Preciso abrir mão do que tenho hoje para receber o que está por vir. Quero deixar de lado as atitudes que já não me completam, as situações desconfortáveis, a busca pelo reconhecimento e isso implica em abandonar a bulimia e tudo que vem junto com ela.

Mas tenho que confessar que ainda tenho muita dificuldade de dizer: “preciso de ajuda”. Bom, posso voltar lá na minha infância para justificar isso... mas quer saber?... já estou crescidinha, não é verdade? Consigo entender que a minha forma de agir foi apenas uma máscara para tentar compensar outros problemas que tenho (baixo autoestima, insegurança, aceitaçao, etc.).  Mas saber disto não significa que já consigo pedir ajuda com facilidade. Por exemplo, hoje, meu marido precisou voltar para o trabalho (ele trabalha em outro estado). Nos últimos 20 dias, ele esteve comigo e com meus filhos, o que foi maravilhoso. Ele tem me ajudado muito no meu processo de recuperação. Inclusive sou super grata à ele por tudo que ele tem feito: por estar do meu lado; por não me julgar; por me escutar; por me ouvir chorar; por me suportar, até mesmo quando nem eu me suporto mais. Agora sei que passarei por um momento em que, muito provavelmente, terei que achar outras pessoas para me ajudar quando for necessário. E isto me assusta.

Agora preciso exercitar a humildade. Precisarei entender quando é a hora de pedir ajuda, de reconhecer minhas limitações. Sei que estou em um momento frágil e, agora, mais que nunca, minhas falhas estão sendo colocadas em evidência. Me sinto nua, despida, desprotegida. Mas agora é a hora da aprender. Aprendizagem, para ser real, precisa ser feita com teoria e prática.

Bom, já sei que preciso sair da minha zona de (des)conforto, mas ainda não consegui exercitar o pedir ajuda em momentos de extrema dificuldade, ainda estou tentando fugir, utilizando meu TA. Mesmo que eu já tenha evoluído no meu processo de recuperação, hoje percebo que o que ainda me mantêm presa às compulsões e vômitos são as mesmas coisas que me mantiveram no passado. Ainda há muito orgulho em mim, que me deixa triste, pois agora consigo ver isso claramente.


Recentemente, uma amiga postou em seu facebook uma frase que me fez pensar “Engula seu orgulho, ele não engorda!!!”. Bom, preciso colocar isto em prática. Fran, mais uma vez, obrigada, pelo seu carinho e pelos alertas que me fazem pensar.