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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Paciência

Estou fascinada pelo romance que estou lendo "Quando Nietzsche chorou". O livro tem sido um convite para que eu encare minhas próprias questões existenciais e assuma a responsabilidade pelas minhas escolhas e antiescolhas. Em diversas passagens do livro me indentifico com as densas histórias dos personagens que realmente vivenciaram os fatos descritos no romance. Consigo identificar semelhanças do pensamento de Nietzche com do meu analista e verificar similaridade entre as minhas  fraqueza e a de Breuer (médico do Nietzche e ao mesmo tempo paciente, a quem ele trata de uma angústia).

O livro tem me convidado a pensar, analisar minhas próprias questões internas. A forma como Nietzche vai descrevendo Breuer meche comigo, é como se ele tivesse me descrevendo, me despindo. Me sinto desnorteada. Tenho perdido o sono e isso por si só já é um sintoma que precisa ser observado e merece algum nível de atenção. Como hoje não tenho análise, decidi escrever e falar um pouco sobre o que vem me angustiando.

Bom, vou tentar "limpar a chaminé", termo usado pela paciente histérica de Breuer (mentor de Freud), para a técnica de utilizaçao da conversa como forma de terapia para alívio dos sintomas. Para mim, "limpar a chaminé" também é reconfortante. Sei que não tenho histeria, nem nada parecido, mas usar a fala, ou escrita, para limpar minha mente das coisas tolas que crio me traz alívio. Não sei ao certo se eu limpo minha mente ou se apenas agrupo as ideias no local adequado, ou se apenas entendo o significado de certos fatos e depois de analisá-las e encontrar seus verdadeiros significados eu consigo resignificá-las de maneira mais clara e menos ameaçadora. Minha análise é um espaço para isso, aqui também.

Lendo o livro, eu me questiono.  O que quero com a bulimia? Permanecer em águas rasas? Temo me conhecer e não gostar do que verei? Porque temo sair da zona de conforto? Quero realmente ser livre? A resposta mais obvia é sim.  Mas porque a liberdade ainda me assuta? Porque meus episódicos bulímicos foram, sim, consideravelmente diminuidos mas ainda me prendo a eles? Porque uma vez por semana ainda me deixo seduzir pelo canto da sereia? Porque me mantenho presa? Do que tenho medo? De encarar a verdade? A verdade significa encarar uma vida mediocre? Minha vida é mediocre? Precisa ser? Qual vida avaliada de perto sob todos os ângulos não é mediocre? O que é mediocridade? Qual significado eu dou para isso? Porque eu quero o extraordinário? Ainda sonho em ser a mulher-maravilha? O conto de fadas me fascina?

Paciência... Paciência... Paciência...