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sábado, 26 de maio de 2012

Bulimia e internet

Olá pessoal, depois que eu decidi escrever esse blog comecei a fazer uma vasta pesquisa sobre bulimia. Sempre li bastante sobre o assunto, pois já tenho a doença há 20 anos (15 – 35 anos).  Nas minhas buscas pela internet, sempre procurei sites informativos sobre o assunto, pesquisas, etc.  No entanto, dessa vez, tentei encontrar outros blogs que tivessem o mesmo intuito que o meu: relatar a vivência negativa, pois ao falar sobre a luta contra a doença e a dificuldade de se viver com ela, talvez isso pudesse ajudar quem procura a recuperação.  Para minha surpresa, tive alguma dificuldade de achar esses sites.

Continuando minha busca, encontrei muitos blogs que fazem apologia aos transtornos alimentares: os denominados pro-ana ou pro-mia. Muitos deles são criados por jovens e possuem 'dicas' para emagrecer (ou seja, adoecer) mais rápido. Tentarei, ao relatar a minha luta contra a doença, não descrever técnicas que desenvolvi durante esses anos para forçar o vômito, disfarçar os sintomas e rastros da doença. Não acredito que a bulimia/anorexia seja um “estilo de vida”, pelo contrário, essa é uma forma lenta de se encontrar a morte.

Achei bem interessante um artigo que li da Nacional Eating Disoder Association que traz orientações para as pessoas que desejam compartilhar suas histórias de recuperação dos transtornos alimentares. Nele ele fala da importância do testemunho, na responsabilidade e no peso que ele tem. Quem quiser ler acho que vale a pena. Ele me trouxe algumas reflexões sobre como contar minha história e como tentar sempre deixar claro que o que trago aqui é algo pessoal. O que estou postando pode, sim, ter forte ligação com você, ou com algum conhecido. Mas lembre-se, é apenas um profissional que poderá te diagnosticar e te ajudar de verdade. Trocar informação pode ser bom, legal, pode aliviar as tensões, pode ser que nos ajude a encarar a solidão que é viver com a bulimia. Acredito que a informação é importante para lidarmos com a doença e buscarmos a cura. Contudo, conhecer os riscos por si só não são suficientes para dizer acabou, basta. O esforço é grande, é diário. Buscar ajuda profissional é fundamental.

Gostaria de compartilhar, ainda, um link para o artigo que fala de um estudo feito pela universidade norte americana Stanford University School of Medicine em colaboração com o Lucile Packard Children's Hospital sobre a influência da Internet sobre a anorexia e a bulimia nos jovens. O estudo mostra que as páginas e blogs pró-ana e pró-mia podem incentivar o aparecimento e desenvolvimento da doença.  De acordo com a pesquisa, não é apenas visitando essas páginas que se fica doente, mas o que lá está escrito pode contribuir para o início da doença ou para o seu agravamento. Claro que existem outros fatores envolvidos nesse processo.  Espero que gostem da leitura.