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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Confessando o inconfessável


Vaidade, cobiça, ciúmes, ou inveja? Muitas vezes me peguei em dúvida sobre qual o sentimento que eu estava sentindo. Durante anos, fui capaz de confessar alguns dos meus pecados, mas definitivamente foi muito sofrido e muito demorado perceber, aceitar e confessar que eu sentia, e, senti por inúmeras vezes, o pecado mais inconfessável de todos: a inveja.

Acontece que, diferentemente do que eu acreditava, a inveja não é apenas não querer que o outro não tenha. A coisa é mais complexa que isso.  Eu, de fato, nunca desejei o “mal” do outro, ou tirar algo de alguém, isso nunca ocorreu (ops... mentira... quando eu era pequena já desejei a morte do meu irmão e da minha mae... mas depois escrevo um post sobre isso). Mas outro sentimento negativo me acompanhou, sim, por muito tempo, em diversas situações.

Admitir fraquezas e admitir sentimentos sombrios como vaidade, cobiça, ciúmes e inveja não é fácil. Lembro-me como foi doloroso e sofrido o dia em que eu confessei, em minha análise, que eu era vaidosa... depois ciumenta... Bom, e, é claro, a mais difícil confissão foi admitir que eu sentia inveja.

Vamos aos fatos. O invejoso é normalmente uma pessoa insegura, sensível, desconfiada e que vive fazendo comparações. Da comparação e da rivalidade nasce a inveja.  Trata-se de um sentimento caracterizado pela sensação de inferioridade, mesmo que às vezes a gente “finja” superioridade. Bom, a verdade é que eu passei muito tempo da minha vida fazendo isso, me comparando aos outros.

Eu nasci me comparando (sou a filha mais nova e a única menina, tenho dois irmãos mais velhos). Durante minha infância eu me comparei e competi com meus irmãos, o tempo todo, principalmente com o meu irmão que tem idade similar a minha. Eu sentia inveja dele. Sentia inveja do amor que, na minha percepção, minha mãe dava a mais para ele.

Como eu já disse aqui, a competição na minha casa sempre foi muito estimulada. Meus pais estavam sempre mostrando o “lado bom” da competição. Sempre que eu “ganhava” de alguém, eu recebia muitos elogios.  Por isso, acredito que competir com meus irmãos foi um caminho natural que encontrei (mesmo que a competição dentro de casa, não fosse explicitamente estimulada).

Lembro-me que eu me sentia “menos” do que meus irmãos, eu os invejei, competi com eles, tentei superá-los. Tudo isso acontecia de forma muito velada. A minha competição era interna, meu sentimento de inferioridade era interno. Externamente, eu me mostrava superior, forte. Assim como me foi ensinado... Na verdade, naquela época eu não tinha ideia do que se passava comigo. Isso tudo eu vim descobrir e confessar agora, depois de muito tempo de análise.

Bom, o fato é que essa forma de funcionar não ocorreu apenas na minha infância e no âmbito familiar. Durante muito tempo eu repliquei essa forma de agir/sentir em diversos campos da minha vida. Eu me comparava, me sentia inferior e sofria.  

A minha inveja não foi de desejar mal aos outros, mas me causou muito sofrimento interno. Dizem que em casos patológicos, quem sofre do mal é capaz de caluniar, perseguir, e, em casos mais extremos, desejar a morte do invejado. Bom, não foi meu caso, eu somatizei. Os especialistas também afirmam que, nessas situações, a pessoa pode apresentar quadro depressivo, autodestrutivo, agressividade e tendências suicidas. Eu apresentei todas elas. Tive depressão, tentei me matar, e o transtorno alimentar, a meu ver, era uma agressividade contra mim mesma, contra meu corpo, certamente um comportamento autodestrutivo.  

A insegurança, baixo auto-estima, o sentimento de incapacidade e inferioridade são combustíveis para a inveja. E eu tinha todos esses combustíveis em mim. Foi difícil reconhecer. Mas agora depois de reconhecer isso, em análise, eu começo a trilhar um caminho para trabalhar esses aspectos. Aspectos que nasceram e foram fomentados na minha infância. Em análise venho entendendo melhor o que me fez sentir dessa forma e isso vem me ajudado, aos poucos, a descontruir verdades que eu acreditei, como o sentimento de incapacidade e inferioridade.

Hoje, eu entendo que posso admirar alguém e não preciso me comparar/competir com ela.  Hoje entendo melhor que as pessoas são diferentes e o que eu “não sou” não me faz inferior a ninguém e nem o que “eu sou” me faz melhor. Cada pessoa tem um jeito e uma essência.