Mostrando postagens com marcador distúrbios alimentares. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador distúrbios alimentares. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Boa notícia

Dia dois de outubro completarei 1 ano que estou recuperada da bulimia. Bom, conforme é de conhecimento de alguns, eu tive bulimia por 20 anos. Os últimos três anos da doença eu procurei ajuda e comecei um processo de recuperação intenso. As crises de bulimia passaram a diminuir, eu passei a me alimentar melhor e seguir as recomendações da nutricionista. Há um ano as crises cessaram por completo. 

Hoje, recebi o resultado do meu exame de densitometria óssea. Há um ano atrás, eu fui diagnosticada com osteopenia (início de osteoporose) e conforme o resultado do exame que peguei hoje, estou conseguindo reverter a osteopenia. Sei que esse resultado é consequência da boa alimentação, além da reposição do Cálcio e Vitamina D. Por isso me sinto especialmente feliz hoje.


Receber essa notícia me deixou feliz. Não apenas pela notícia simples e pura, mas porque sei que não são apenas meus ossos que estão mudando. Eu mudei muito e venho mudando um pouco a cada dia.  Lembro que eu fiquei triste quando recebi o resultado que estava com osteopenia, porque é triste. Mas eu decidi encarar os fatos e não me fazer de vítima. Decidi que aquilo era um retrato tardio do meu passado e que eu faria apenas o que estava no meu alcance a partir de então.  E foi o que fiz... eu já estava mudando. 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mendigando amor


Em algum momento lá na minha infância eu entendi que eu precisava ficar doente para receber amor, carinho e atenção. Eu chegava a desejar ficar doente.  Muitas vezes eu ficava com febre.  Acho que, de certa forma, meu corpo adoecia como um mecanismo de defesa quando minha mente já não aguentava mais o sofrimento interno. Eu desejava apenas uma coisa: o amor materno.

Confessar que eu precisava do amor materno foi aterrorizante para mim. Levei quatro anos de psicanálise e chorei várias sessões seguidas para enfim conseguir sair com a frase: “acho que não me sentia suficientemente amada pela minha mãe”. Parecia que eles (meus pais) estavam lá me ouvindo. Senti-me má, ingrata, injusta, mimada, envergonhada, mal agradecida. Será que eu estaria sendo injusta? Posso dizer que ainda é muito desconfortável para eu pensar nisso. Sinto-me culpada por não ter me sentido amada. Mas o fato é que quando me lembro da minha infância e vivencio os meus sentimentos daquela época, percebo que eu não me sentia, de fato, amada, principalmente, pela minha mãe. Eu sempre achei que precisava fazer algo por ela, para merecer o amor dela, para compensar o “trabalho” que estava dando (eu não era fácil), para compensar as perdas que ela teve quando me nasci. 

Para aceitar e trabalhar com esses aspectos,  estou  vivenciando vários sintomas de ansiedade. Tem dias que sinto como se meu peito não fosse acomodar o ar que o meu corpo precisa. Parece que vou morrer. Sinto falta de ar e tenho a sensação de que não consigo respirar direito. No meu caso, tenho consciência que o que sinto é exagerado e que vai passar, mas tem horas que parece interminável.  É angustiante. Sinto uma tensão enorme no pescoço. Meu coração acelera. Além disso, sinto como se meu corpo tivesse vibrando por dentro, soltando uma espécie de descarga elétrica, como se fosse explodir, e tem horas que eu gostaria que ele explodisse. E então eu sinto raiva de estar assim. Fico com medo de ficar louca de perder o controle.  Sinto um nó na garganta e de certa forma esse nó me lembra como eu gostaria de vomitar para “aliviar” tudo!!! Sempre aliviei meus sentimentos dessa forma. Sempre foi a forma que eu consegui ficar no controle. Meu sintoma (bulimia) foi um “remédio torto” para aliviar esses outros sintomas da ansiedade.  

A verdade é que tenho vivenciado esse sentimento físico de ansiedade, angústia (ou sei lá o que), várias vezes ao dia, e não só quando penso na minha relação com minha mãe. Percebo que esse sentimento se repete em situações relacionadas a aceitação, amor e expectativas que tenho em relação a outras pessoas e não gostaria de ter, pois sempre fico me julgando.  Com certeza estou no meio do furação de ideias e me sinto confusa para chegar a algumas conclusões. Então, por enquanto, estou apenas especulando várias possibilidades, tendo insights e tentando não julgar meus pensamentos.

De certa forma para mim, eu utilizava a bulimia para me “fortalecer”. Bom, pelo menos era o que eu achava que eu fazia. Eu tinha a falsa sensação de fortaleza. De que eu não dependia de ninguém. Eu me sentia forte. Não dependia de amor, de carinho, de aceitação. Se eu ficava brava, usava a bulimia e me acalmava.  Se estava sozinha, a comida era minha companhia. Se estava ansiosa (nó na garganta), o vômito anestesiava essa sensação.  Se sentia tristeza,  uma comida quentinha,  me abraçava por dentro. E esse comportamento irritante e destruidor, que iniciei na adolescência aos 15 anos, para me “confortar”, foi se tornando um hábito, uma forma operante de viver, de lidar com tudo.

É fato que mantenho a bulimia ainda porque acho que ainda ganho algo com esse comportamento. A questão é:  a mantenho porque não consigo lidar com tudo, ou não quero lidar com tudo para receber atenção e continuar doente? O amor que mendigo é o amor que desejo? Conseguirei eu mesma me amar e suprir esse amor que tanto busco? Um dia estarei pronta para receber apenas o que vier e pronto?  

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Confissão


Estou me mantendo presa no meu comportamento alimentar. Consigo perceber quase que diariamente que escolho a manutenção do hábito doentio (ainda que de forma menos intensa que no passado) do que continuar a minha trilha pela recuperação. Nem eu consigo me enganar com os motivos que estou inventando para mim mesma para a manutenção da mentira (pois manter meus comportamentos alimentares sem um esforço latente para sair deles me parece uma manutenção da mentira).


O que me mantem presa em minha mentira? Por que não consigo de fato abrir mão da compulsão/vomito que ainda acontece quase que diariamente em minha vida? Sei que já dei passos importantes nessa jornada, isso me faz apenas concluir que sou mais que capaz de dar mais este passo. Vivi momentos de torturas físicas para dar os primeiros passos. Lembro como foi difícil passar os primeiros 15 dias sem comer e vomitar durante o dia, pois todas as refeições que eu fazia eu vomitava, isso era o meu natural. Eu precisei viver um momento de sofrimento que, a meu ver, foi bem parecido com uma abstinência (veja o post que escrevi sobre isso).

E agora? Porque não consigo me esforçar e nem tento com tanto empenho como antes.  Porque me apego a essa doença como se ela fosse minha tábua de salvação?  Porque ainda acredito que ela é a única coisa capaz de me acalentar? Porque tenho tanto medo de perder isso? Porque tenho medo de ficar sozinha e não ter o minha válvula de escape para me ninar? Porque  tenho medo de perder a única ferramenta que sempre acreditei que me alivia a tristeza quando eu precisava? Porque tenho medo de perder minha ferramenta de controle mais precisa? Racionalmente sei que tudo isso é pura ILUSÃO.  Ela não me acalma, não me ajuda, não me acalenta, não me alegra, na verdade ela me ilude!!! Cada vez que utilizo a bulimia eu tenho a sensação de que dou um pause na vida e fujo dos problemas. Quando retomo a vida, simplesmente ignoro a sujeira, ela continua lá, mas estou “drogada” demais para me importar com ela.


"Mentira é o nome dado as afirmações ou negações falsas ditas por alguém que sabe (ou suspeita) de tal falsidade, e na maioria das vezes espera que seus ouvintes acreditem nos dizeres. Dizeres falsos quando não se sabe de tal falsidade e/ou se acredita que sejam verdade, não são considerados mentira, mas sim erros."



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sim para a beleza natural!!!


A beleza natural existe. Ela está em mim, em você, em nossas amigas, mães, irmãs, tias. Ela está na nossa frente, basta apreciarmos. Para nos lembrarmos disto, o fotógrafo americano Matt Blum está fazendo um excelente trabalho fotografando o nú comum para o The Nu Project. Nada de maquiagem, nada de corpos esqueléticos, nada de photoshop, o trabalho de Matt é maravilhoso e mostra a nudez bela, real e natural. Faz bem aos olhos e a mente, pois valoriza o corpo da mulher como ele é. Cada beleza, cada corpo, cada mulher, lindamente captadas pela lente desse fotógrafo.


Matt Blum já fotografou mais de 100 mulheres da América do Norte e do Sul, desde 2005. Em novembro de 2012, ele estará no Brasil, pela segunda vez, em busca de novas voluntárias. Quem desejar participar do projeto deverá preencher um formulário no site www.thenuproject.com.  Não será oferecido nenhum cachê para voluntária, ela apenas terá a oportunidade de ser fotografada por um profissional e receberá 10 fotos do ensaio. Não será permitida a participação de pessoas com menos de 21 anos de idade. Matt tem a pretensão de lançar um livro com suas fotografias.


Achei o projeto fantástico, pois estamos buscando cada dia mais um corpo “perfeito” e acabamos esquecendo como são os corpos comuns e quão bonitos e apreciáveis eles são. Deixemos de lado a busca do inatingível e o medo de nos tornarmos nós mesmas. Podemos ser lindas, sem doenças, sem transtornos alimentares, sem anorexias e bulimias. Talvez hajam celulites, dobrinhas, gordurinhas, pouca bunda, culote, seios pequenos, corpos assimétricos. E daí?  Vamos colocar em nossos olhos a lente de Matt e reconhecer nossa beleza natural que vai além de nosso corpo e atinge nossa alma. Eu digo sim a beleza natural!!


  




sexta-feira, 15 de junho de 2012

Frustração mais uma vez


Hoje já fiz de tudo para evitar escrever este post. Estou com medo e receio de traduzir em palavras o que estou sentindo. Minha vontade é manter meus pensamentos em segredo, mas não dá. Os meus pensamentos já estão solidificados em minhas ações. E por mais que eu tente fugir deles, eles me perseguem. Então mudarei de estratégia. Confessarei meus “crimes” e espero que isso amoleça minhas ações, deixando que eu molde novos hábitos, novos pensamentos e novos sentimentos.

Frustração e raiva são os sentimentos de hoje. Estou extremamente chateada comigo pelo fato de ter conseguido, apenas uma única vez, durante os 18 dias em que comecei a minha jornada rumo à recuperação, ter ficado sem comer excessivamente e sem vomitar durante um dia inteiro (dia e noite). Há dois dias consegui pela primeira vez dormir sem a crise bulímica, mas ontem e hoje, fracassei.

Eu sei que deveria estar pensando pelo lado positivo, sei que deveria pensar em quanto já caminhei até agora e que deveria ter calma e blá, blá, blá. Mas hoje estou com uma dificuldade enorme em fazer isso. Estou com uma raiva enorme de mim. Tenho certeza que se fosse em outras épocas, hoje seria um daqueles dias em que comeria e vomitaria várias vezes, só para tentar aliviar essa dor que sinto no meu peito e que parece que não passa. Estou tremendo e sinceramente, não sei se conseguirei dormir...

Agora o que preciso fazer é encarar este sentimento de frustração e aprender como lidar com ele. Certamente, esta sensação vem da minha expectativa não realizada. Preciso respirar e entender que esta jornada será assim mesmo: serão tentativas, acertos, falhas, acertos, novas tentativas, mais acertos e depois menos falhas. Preciso deixar de lado a minha busca pela perfeição, pelo ideal e me contentar com o real, com o possível. Só assim deixarei de ter frustrações constantes.

Para não perder a esperança, reli posts de pessoas que contam suas trajetórias contra a bulimia. A busca de ninguém foi fácil e nem foram sem falhas ou recaídas. Mas uma coisa elas tiveram em comum: nenhuma desistiu. Recarrego minhas energias e ganho força de novo. Amanhã é um novo dia, uma nova luta, uma nova batalha. Sim, ainda virão muitas dificuldades, e eu preciso estar forte para enfrentá-las ou elas me derrotarão. Cair, aprender, levantar e seguir, continuando a jornada. 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Branca de Neve e os Distúbios Alimentares


Hoje assisti o filme "Branca de Neve e o Caçador". Claro que eu já havia assistido o desenho antes, mas nunca tinha percebido que havia alguma mensagem nele. Desta vez foi diferente, como ultimamente estou asfixiada pelo meu pensamento mono temático (bulimia), logo eu me vi fazendo mil e uma interpretações para o filme. 


Sai do filme pensando: Até onde irão nossas ações pela busca da beleza? Porque nos comparamos com os outros nessa busca pela beleza (existe alguém mais bela do que eu?)? Quando iremos deixar de fazer isso para simplesmente nos aceitar? Etc...

Bom, decidi procurar na internet para ver se alguém já tinha feito alguma analogia da história com a doença. Acabei encontrando esta análise feita pela psicóloga, Rosemeire Zago, clínica com abordagem jungiana, com especialização em psicossomática. Achei o texto curioso e interessante e reproduzo aqui. Não tem nada haver com as análises que eu tentava fazer, risos. Achei o texto um pouco viagem, mas acho que vale a pena conhecer a visão de uma profissional. 

"Analisar algumas histórias e mitos que enfocam o aspecto feminino, compreendendo o lado mítico, simbólico e relacioná-lo com a obesidade pode ser a porta de saída do conflito para quem busca entender o processo da obesidade.

São possíveis várias interpretações, da qual vou relacionar apenas uma, ilustrando distúrbios alimentares que podem se instalar da adolescência em diante.

Na história da Branca de Neve encontramos uma madrasta, que pode representar uma mãe negativa, que não se interessou em ser efetivamente mãe e, provavelmente, não foi bem sucedida em seu desenvolvimento porque tem uma estrutura muito narcísica e ressentida. A insatisfação se transforma em competitividade com a filha, que é ignorada em suas necessidades, não sendo reconhecida como um ser humano. Mas, quando entra na adolescência, a sua beleza aparece e a mãe a inveja profundamente.

Há uma clara percepção de que a menina ultrapassará a mãe - Branca de Neve é a mais bela - e o ódio e a frustração da mãe se dirigem a tentar matar essa filha, simbolicamente anulá-la, impedí-la de crescer. O pai da história é tão ausente que não consegue se interpor nessa relação destrutiva para defender a filha. Quantas mulheres não viveram esse drama?

Branca de Neve é levada para a floresta, onde um caçador deve matá-la e entregar seu coração para a mãe. Ao matar e retirar seu coração podemos entender que ela deve alienar-se de suas emoções, até porque é terrível demais confrontar a rejeição e o ódio da mãe. O único sentimento que lhe resta é o medo e a vontade de sobreviver. Todo seu eu se recolhe, reprimido e acuado. Quantas pessoas não vivem alienadas de seus sentimentos, como se não os sentissem e assim, buscam compensá-los com comida?

Os anões podem ser vistos como emissários da mãe boa que a menina deseja, ou como expressões de uma formação ainda precária. Eles proporcionam para Branca de Neve um período de paz, mas ela parece só se preocupar em ser gentil e prestativa, provavelmente com muito medo de ser expulsa novamente.

Quantas mulheres que têm confiança básica seriamente abalada tentam seduzir e agradar a todos para sua própria sobrevivência num mundo que lhes foi sentido como hostil desde criança? Branca de Neve, em sua falsa segurança, esquece que continua a correr perigo. Seus instintos alienados não são associados quando aparece uma velhinha (a bruxa) oferecendo-lhe lindas maçãs, porém, envenenadas. Ela come uma, que fica presa em sua garganta, e cai, aparentemente morta.

A bruxa pode representar a mãe negativa concreta e seu poder é sustentado pela conexão com toda a força do lado negativo feminino internalizado pela Branca de Neve. A procura pelo prazer imediato, a compulsão que a faz ingerir um alimento envenenado pode apontar para a escolha da obesidade ou da anorexia, ainda que inconsciente, como tentativa de defesa que a torna tragicamente vítima da própria força que ela tenta combater.

O tema da morte, desmaio, adormecimento, indica que o eu interior, sem acesso a sentimentos, se ausenta do processo morrendo , não para renascer, mas para ser encarcerado, dessa vez num caixão de vidro. Caixas, caixões e invólucros de vidro ou de plásticos transparentes aparecem muito nos sonhos de pessoas obesas.

O vidro é uma substância que, como a gordura, é altamente isolante, envolvendo a alma de forma eficientemente protetora, mas encerrando-a cruelmente. Não sendo um condutor de calor, mantém o núcleo do ser sem contato com a paixão pela vida. Como o vidro é transparente, indica que o lado sedutor e agradável da personalidade continua a funcionar, porém oculto pela própria necessidade de defesa.

Quando um homem a alcança, Branca de Neve vomita a maçã e pode respirar novamente. Esse encontro com o homem pode simbolizar o encontro com o amor verdadeiro e o controle da compulsão na obesidade e a ingestão de alimentos na anorexia. Parece também que quem sofre de bulimia tenta vomitar o alimento junto com o veneno paralisante da mãe negativa introjetada.


O conto da Branca de Neve acaba bem, mostrando que o encerramento no caixão foi uma fase de morte para o renascimento e se concretiza a passagem de menina para mulher. Para as Brancas de Neves da vida, o prognóstico também pode ser positivo. Mas nem sempre elas conseguem efetuar a transição e expelir o veneno, podendo ficar presas em seu lindo caixão, ou voltar a ele. É preciso aprender a vomitar simbolicamente o que aprisiona e voltar-se para os próprios sentimentos, enfim para a vida!" 

Fonte:http://cyberdiet.terra.com.br/voce-e-branca-de-neve-7-1-6-541.html