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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Trilhando o meu caminho

Durante minha jornada pelo caminho da recuperação, aprendi muito. Com certeza amadureci bastante, e sei que ainda tenho um longo caminho a percorrer. Aprendi que cada pessoa tem um tempo e cada estrada é diferente. Aprendi a respeitar meus limites e a conhecer a minha própria estrada. No momento que parei de olhar para estrada dos outros e me foquei em mim, nas minhas questões, foi quando eu avancei. Não se trata de ser egoísta, mas de respeitar a vontade e o movimento de cada pessoa e principalmente de respeitar as minhas próprias vontades, os meus próprios desejos.

Para isso tive que me perceber diferente, tive que aceitar as minhas diferenças. Tive que deixar de lado a tentativa (sempre em vão) de me enquadrar em algo que eu nem mesmo sabia nomear o que era. Quando compreendi isso, quando consegui me ver como uma pessoa, com vontades, desejos, eu comecei a me movimentar para me libertar, do que eu considerava uma prisão. A verdade é que isso não aconteceu de repente. Para ser bem sincera, ainda estou na busca da minha identidade, das minhas vontades, dos meus desejos. Isso está sendo gostoso! Delicioso! Uma descoberta de quem sou.

Hoje sei que estou em um momento diferente, em uma caminhada sem volta. Não me iludo mais na tentativa de querer ser o que achava que os outros desejavam de mim. Não temo mais dizer não. Tem ocasiões que ainda me dá um receio, um aperto no coração, quando vou dizer um não. Mas hoje compreendo o que está por traz das minhas atitudes quando eu me esforçava tanto para fazer algo que eu não queria para “agradar” o outro. E digo agradar o outro, pois durante muito tempo eu fiz o que pensei (imaginei) que o outro desejava. Me iludia que era capaz de ser o objeto do desejo do outro, porque eu queria que o outro me aceitasse, me afirmasse, me reconhecesse.

Ao tirar os comportamentos do transtorno alimentar no meu dia a dia, eu comecei a me conhecer melhor. Trabalhei de forma mais intensa as minhas questões na análise e aprendi a lidar com o meu lado bom e a reconhecer o meu lado ruim. Aceitei que tenho dentro de mim sombra e luz. Percebi que minha sombra, não apaga minha luz. Na verdade, comecei a deixar de lado muito dos meus julgamentos e aprendi verdadeiramente a trilhar o caminho da aceitação e respeito das limitações. Na verdade, ainda estou aprendendo.

Sem os comportamentos do TA, eu consigo perceber o que aflinge, o que me incomoda, o que me causa desconforto. Eu passo a analisar essas questões e entender porque certas questões me incomodam, me afligem, me angustiam. No momento que encaro tais questões, eu me conheço melhor, aprendo a lidar comigo.

Não vou dizer que encarar certos fatos foram fáceis, que aceitar algumas realidades aconteceu sem sofrimento, mas posso garantir que foi libertador. Continuo na luta, a cada dia buscando me conhecer, me entender melhor e reafirmando o compromisso de me respeitar.

Agora, estou vivendo esse momento de encantamento com livros e informações. Parece que o mundo está aberto de possibilidades e eu gosto disso. Gosto de poder ter escolhas. Gosto que eu esteja mudando. Sinto minha mudança no meu jeito de falar, vestir, comer, agir. Estou redescobrindo o prazer de brincar com meus filhos e estou descobrindo o quanto eles são encantadores. Confesso que vem uma dor no meu peito quando penso no quanto eu devo ter perdido. Seria ingenuidade achar que não. Mas estou abrindo mão da minha dor e perdoando a mim e aos que de alguma forma tiveram alguma responsabilidade por tudo que vivi e assim sigo.

Magicamente redescubro a beleza de ser mãe e percebo como é maravilhoso ser mulher!!! Termino essa frase e meu lado racional, acha ele piegas, mas e daí? Parte de mim é exatamente isso, puro sentimento, emoção e, nesse momento, encantamento. E assim vou me redescobrindo, me transformando, me apaixonando.