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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Limpando a chaminé

Estou a algum tempo ensaiando voltar a escrever. A verdade é que depois que meu blog secreto deixou de ser secreto, me sinto bloqueada. Não me sinto mais tão à vontade para ser eu mesma, para exorcizar meus pesadelos, minhas sombras.

Nunca tive a intenção de fazer um blog para ficar conhecida, minha intenção sempre foi que ele ficasse anônimo. Apesar de meu ato falho mostrar que isso não é tão verdade assim. Algo em mim quer mostrar para o mundo quem eu sou. Mas primeiro eu preciso responder essa pergunta: Quem sou eu? A minha análise é esse espaço seguro, mas preciso de um lugar fora dele, um lugar meu, em que eu não sinta medo de extrapolar de errar o tom. Um lugar em que eu possa "limpar a chaminê". Acho que todas as pessoas deveriam ter esse espaço. Um espaço livre de julgamento, livre de acusações, um espaço de busca pelo eu, de transformação, de metamorfose.

Por isso criei o blog. Para ter esse espaço. Para me sentir livre, mas parece que me esqueci disso... Será que meu ato falho foi uma armadilha para meu aprisionamento? Terá sido meu ato falho uma vontade de mostrar quem eu sou, sendo que se nem eu ainda sei, certamente ele ajudaria e incentivaria a minha covardia?

Agora, só consigo pensar na frase do romance que estou lendo "Quando Nietzche chorou", o trecho que não me sai da cabeça: "Aquele estranho livro russo sobre o Homem Subterrâneo continua a me assombrar. Dostoiévski escreve que algumas coisas não devem ser contadas, exceto aos amigos; outras coisas não devem ser contadas mesmos aos amigos; finalmente, existem coisas que não se contam nem a si mesmo!"  Será? Preciso descobrir essas coisas pois mesmo que eu não queira ouvir tais coisas os sintomas falam por si. E já não há mais como fugir, não há como me anestesiar com a bulimia ou com fugas, preciso enfrentar o que está aqui dentro e suportar o que vem junto com essas descobertas.