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terça-feira, 3 de julho de 2012

Rumo à recuperação: fazendo as pazes com a comida


Na minha vida, eu só conhecia duas formas de alimentação: não comer nada ou comer compulsivamente e vomitar. Bom, se é que isso pode ser chamado de alimentação, não é verdade? Sempre que eu comia, eu precisava vomitar. Para mim, isso era natural. Eu acreditava que era parte do meu processo digestivo: mastigar, engolir e vomitar. Antes de começar o blog e iniciar essa jornada rumo a cura, eu comia compulsivamente de 5 a 8 vezes diárias e vomitava todas elas, hoje, essa média diminuiu e minhas crises diárias estão cada dia menores (média de uma vez ao dia). 

Para entrar, verdadeiramente, na jornada contra a doença eu precisava aprender a comer e não vomitar. Caso contrário, eu correria o sério risco de desenvolver outro transtorno: a anorexia. No passado, em uma outra tentativa de me recuperar, eu fiquei anoréxica durante alguns meses, perdi muitos quilos e acabei retornando à bulimia. Foi muito ruim., or isso, dessa vez, me mantive consciente sobre a necessidade superar esse desafio.

Depois de muita leitura e pesquisa, verifiquei que os especialistas sugerem que pessoas em busca da cura da bulimia devem fazer uma espécie de reeducação alimentar, fazendo um planejamento estruturado de alimentação (com orientação de um nutricionista). Basicamente, eles sugerem que sejam feitas três refeições e três lanches por dia, todos os dias! Claro que eu quase pirei com essa orientação. Como assim??? Comer seis vezes por dia sem vomitar??? Eu não conseguia comer dessa forma por nem um dia da minha vida, eu pensava. Como conseguiria chegar a essa marca? Achei um absurdo!

Decidi que iria fazer o meu melhor. Na primeira semana não me preocupei em alcançar seis refeições diárias. Apenas me preocupei em comer e não vomitar. Para mim isso já foi um avanço! Comemorei a cada refeição que fiz sem vomitar. Claro que sem me iludir que ainda teria grandes desafios. Com o tempo fui ganhando confiança e fui aumentando o número de vezes que fui capaz de me alimentar e de não provocar o vômito. Percebi que isso não era tão ruim. Fui enfrentando meus medos e eles estão ficando menores. Claro que esse processo não foi fácil e ainda não é. Já estou comendo três refeições e três lanches por dia, todos os dias sem vomitar. Para evitar que eu fique neurótica em relação ao meu peso eu deixei de contar calorias. Simplesmente não penso nelas. Sei que esse passo foi bem grande para mim. No entanto, ainda é pouco diante o que ainda irei passar. Também me proibi de subir em qualquer balança.

Tenho consciência que ainda evito vários alimentos, mesmo sem contar as calorias. Morro de medo de comer em eventos sociais. Tenho a sensação que todos estão me vigiando. Isso porque eu estou comendo de forma diferente do que comia antes da busca pela cura. Antes de iniciar minha jornada eu comia de tudo a toda e qualquer hora (claro que vomitava tudo depois) e agora estou evitando certos alimentos. Ainda tenho pânico (vergonha) que as pessoas descubram que eu tenho bulimia.

Para chegar até aqui, fui colhendo várias dicas e evidências que de alguma forma me fortaleceram. Vou dividir com vocês as dicas e os conhecimentos que me ajudaram (principal fonte: Bulimia.help):

  •  Obter um fluxo constante de nutrição evita compulsões futuras.
  • Comer regularmente aumenta o metabolismo.
  • No início, não é necessário comer muito. Pequenas refeições são mais fáceis de comer e vão fazer você se sentir menos cheia. Isso vai ajudar você a não vomitar.
  • Comece agora.  Nunca mais deixe para amanhã. O amanhã nunca chega.
  • Seu estômago pode precisar de um tempo se acostumar e isso pode levar tempo. Tenha paciência e perseverança.
  • Lembre-se dar passos de bebê e fazer pequenas mudanças graduais.
  • Nunca se compare com os outros. Cada pessoa tem um processo diferente de adaptação.
  • Esqueça a balança
  • Esqueça as calorias
  • Se possível, procurar um nutricionista que te ajude a criar um plano de refeições.
  • Planeje suas refeições com antecedência
  • Escolha alimentos que você sente confortável, principalmente na fase inicial.
  • Evite ficar mais de 3-4 horas sem se alimentar. Espaçamento entre as refeições é importante na prevenção da compulsão. Este período tem a ver com o processo de esvaziamento do seu fígado para manter os níveis de glicose no sangue com carboidratos armazenados.
  • Se estiver com fome, coma. A vontade não saciada pode aumentar a compulsão.
  • Essa dica me ajudou muito a iniciar o meu processo, foi dada pelo meu marido: “Faça apenas uma experiência, não pense que o que você está fazendo é definitivo, caso você não consiga, você poderá sempre voltar ao seu antigo estilo de comer”. Pensar dessa forma foi um alívio para mim. Tirei o peso do processo e fui experimentando e fui vendo que é possível.