Mostrando postagens com marcador ana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ana. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Juiz determina que mulher seja alimenta à força



Semana passada, um juiz da Alta Corte do Reino Unido determinou judicialmente que uma mulher fosse alimentada, mesmo contra sua vontade. O juiz admitiu ter sido uma decisão difícil, mas considerou que a mulher de 32 anos, anoréxica, conhecida com “E” não tinha capacidade para tomar essa decisão sobre sua vida. Para decidir o juiz precisou fazer uma ponderação entre dois direitos: o da vida e o da liberdade individual.

Ao final do jugamento ele decidiu em favor da preservação da vida e afirmou ser legal que ela seja alimentada à força, se necessário. Ele afirmou que “apesar de gravemente doente, ela não tem algo que é incurável. Ela não busca a morte, no entanto, ela não quer comer ou ser alimentada”.

O caso chegou ao tribunal no mês passado por meio de um pedido de urgência para evitar a morte de “E”. O Juiz ao proferir a sentença mostrou-se comovido e deixou claro o quão difícil foi a decisão. A matéria sobre o caso foi publicada no Huffingtonpost. Para quem quiser ler na íntegra (em inglês), vale a pena, traz a fundamentação do juiz, e nos leva à reflexão.  



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sim para a beleza natural!!!


A beleza natural existe. Ela está em mim, em você, em nossas amigas, mães, irmãs, tias. Ela está na nossa frente, basta apreciarmos. Para nos lembrarmos disto, o fotógrafo americano Matt Blum está fazendo um excelente trabalho fotografando o nú comum para o The Nu Project. Nada de maquiagem, nada de corpos esqueléticos, nada de photoshop, o trabalho de Matt é maravilhoso e mostra a nudez bela, real e natural. Faz bem aos olhos e a mente, pois valoriza o corpo da mulher como ele é. Cada beleza, cada corpo, cada mulher, lindamente captadas pela lente desse fotógrafo.


Matt Blum já fotografou mais de 100 mulheres da América do Norte e do Sul, desde 2005. Em novembro de 2012, ele estará no Brasil, pela segunda vez, em busca de novas voluntárias. Quem desejar participar do projeto deverá preencher um formulário no site www.thenuproject.com.  Não será oferecido nenhum cachê para voluntária, ela apenas terá a oportunidade de ser fotografada por um profissional e receberá 10 fotos do ensaio. Não será permitida a participação de pessoas com menos de 21 anos de idade. Matt tem a pretensão de lançar um livro com suas fotografias.


Achei o projeto fantástico, pois estamos buscando cada dia mais um corpo “perfeito” e acabamos esquecendo como são os corpos comuns e quão bonitos e apreciáveis eles são. Deixemos de lado a busca do inatingível e o medo de nos tornarmos nós mesmas. Podemos ser lindas, sem doenças, sem transtornos alimentares, sem anorexias e bulimias. Talvez hajam celulites, dobrinhas, gordurinhas, pouca bunda, culote, seios pequenos, corpos assimétricos. E daí?  Vamos colocar em nossos olhos a lente de Matt e reconhecer nossa beleza natural que vai além de nosso corpo e atinge nossa alma. Eu digo sim a beleza natural!!


  




segunda-feira, 11 de junho de 2012

Branca de Neve e os Distúbios Alimentares


Hoje assisti o filme "Branca de Neve e o Caçador". Claro que eu já havia assistido o desenho antes, mas nunca tinha percebido que havia alguma mensagem nele. Desta vez foi diferente, como ultimamente estou asfixiada pelo meu pensamento mono temático (bulimia), logo eu me vi fazendo mil e uma interpretações para o filme. 


Sai do filme pensando: Até onde irão nossas ações pela busca da beleza? Porque nos comparamos com os outros nessa busca pela beleza (existe alguém mais bela do que eu?)? Quando iremos deixar de fazer isso para simplesmente nos aceitar? Etc...

Bom, decidi procurar na internet para ver se alguém já tinha feito alguma analogia da história com a doença. Acabei encontrando esta análise feita pela psicóloga, Rosemeire Zago, clínica com abordagem jungiana, com especialização em psicossomática. Achei o texto curioso e interessante e reproduzo aqui. Não tem nada haver com as análises que eu tentava fazer, risos. Achei o texto um pouco viagem, mas acho que vale a pena conhecer a visão de uma profissional. 

"Analisar algumas histórias e mitos que enfocam o aspecto feminino, compreendendo o lado mítico, simbólico e relacioná-lo com a obesidade pode ser a porta de saída do conflito para quem busca entender o processo da obesidade.

São possíveis várias interpretações, da qual vou relacionar apenas uma, ilustrando distúrbios alimentares que podem se instalar da adolescência em diante.

Na história da Branca de Neve encontramos uma madrasta, que pode representar uma mãe negativa, que não se interessou em ser efetivamente mãe e, provavelmente, não foi bem sucedida em seu desenvolvimento porque tem uma estrutura muito narcísica e ressentida. A insatisfação se transforma em competitividade com a filha, que é ignorada em suas necessidades, não sendo reconhecida como um ser humano. Mas, quando entra na adolescência, a sua beleza aparece e a mãe a inveja profundamente.

Há uma clara percepção de que a menina ultrapassará a mãe - Branca de Neve é a mais bela - e o ódio e a frustração da mãe se dirigem a tentar matar essa filha, simbolicamente anulá-la, impedí-la de crescer. O pai da história é tão ausente que não consegue se interpor nessa relação destrutiva para defender a filha. Quantas mulheres não viveram esse drama?

Branca de Neve é levada para a floresta, onde um caçador deve matá-la e entregar seu coração para a mãe. Ao matar e retirar seu coração podemos entender que ela deve alienar-se de suas emoções, até porque é terrível demais confrontar a rejeição e o ódio da mãe. O único sentimento que lhe resta é o medo e a vontade de sobreviver. Todo seu eu se recolhe, reprimido e acuado. Quantas pessoas não vivem alienadas de seus sentimentos, como se não os sentissem e assim, buscam compensá-los com comida?

Os anões podem ser vistos como emissários da mãe boa que a menina deseja, ou como expressões de uma formação ainda precária. Eles proporcionam para Branca de Neve um período de paz, mas ela parece só se preocupar em ser gentil e prestativa, provavelmente com muito medo de ser expulsa novamente.

Quantas mulheres que têm confiança básica seriamente abalada tentam seduzir e agradar a todos para sua própria sobrevivência num mundo que lhes foi sentido como hostil desde criança? Branca de Neve, em sua falsa segurança, esquece que continua a correr perigo. Seus instintos alienados não são associados quando aparece uma velhinha (a bruxa) oferecendo-lhe lindas maçãs, porém, envenenadas. Ela come uma, que fica presa em sua garganta, e cai, aparentemente morta.

A bruxa pode representar a mãe negativa concreta e seu poder é sustentado pela conexão com toda a força do lado negativo feminino internalizado pela Branca de Neve. A procura pelo prazer imediato, a compulsão que a faz ingerir um alimento envenenado pode apontar para a escolha da obesidade ou da anorexia, ainda que inconsciente, como tentativa de defesa que a torna tragicamente vítima da própria força que ela tenta combater.

O tema da morte, desmaio, adormecimento, indica que o eu interior, sem acesso a sentimentos, se ausenta do processo morrendo , não para renascer, mas para ser encarcerado, dessa vez num caixão de vidro. Caixas, caixões e invólucros de vidro ou de plásticos transparentes aparecem muito nos sonhos de pessoas obesas.

O vidro é uma substância que, como a gordura, é altamente isolante, envolvendo a alma de forma eficientemente protetora, mas encerrando-a cruelmente. Não sendo um condutor de calor, mantém o núcleo do ser sem contato com a paixão pela vida. Como o vidro é transparente, indica que o lado sedutor e agradável da personalidade continua a funcionar, porém oculto pela própria necessidade de defesa.

Quando um homem a alcança, Branca de Neve vomita a maçã e pode respirar novamente. Esse encontro com o homem pode simbolizar o encontro com o amor verdadeiro e o controle da compulsão na obesidade e a ingestão de alimentos na anorexia. Parece também que quem sofre de bulimia tenta vomitar o alimento junto com o veneno paralisante da mãe negativa introjetada.


O conto da Branca de Neve acaba bem, mostrando que o encerramento no caixão foi uma fase de morte para o renascimento e se concretiza a passagem de menina para mulher. Para as Brancas de Neves da vida, o prognóstico também pode ser positivo. Mas nem sempre elas conseguem efetuar a transição e expelir o veneno, podendo ficar presas em seu lindo caixão, ou voltar a ele. É preciso aprender a vomitar simbolicamente o que aprisiona e voltar-se para os próprios sentimentos, enfim para a vida!" 

Fonte:http://cyberdiet.terra.com.br/voce-e-branca-de-neve-7-1-6-541.html

domingo, 27 de maio de 2012

Triste e brava


Quando imaginei escrever o blog pensei em utilizá-lo como uma ferramenta de terapia, na busca pela cura. Bom, pelo que estou percebendo hoje essa busca será muito, mas muito mais difícil do que eu imaginava. Isso porque aqui vou tratar de sentimentos muitas vezes confusos, feios e até doentes (afinal, estou doente, né?). Admitir isso é difícil, dói e não é bonito, não é nada bonito. Me mostrar, mesmo que usando a “mulher interrompida”, faz com que eu me sinta extremamente vulnerável. 

Estou angustiada, pois como vocês sabem a bulimia trata-se de uma doença secreta, silenciosa. Bom, pelo menos no meu caso, eu não consigo falar sobre ela ou confessar e admitir tê-la a amigos (nem para os melhores amigos), familiares, colegas de trabalho. Falei da minha doença apenas para meu pai, mãe, irmãos, marido e profissionais que me acompanham. Tenho vergonha da doença. Tenho pânico, pânico mesmo, só em imaginar o que os outros vão pensar de mim quando souberem. Tenho um grande problema de aceitação própria e fico tentando buscar a aceitação dos outros, como se isso fosse me satisfazer em algo. Tenho trabalhado para melhorar minha auto-estima, pois está difícil fazer o que eu acredito que os outros esperam de mim. E talvez eles nem esperem nada... mas eu crio essa personagem e a imagino com tudo que os outros a desejam, e vou tentando ser ela. Estou cada dia mais distante de mim mesma. Na verdade, já não tenho certeza de quem sou. Meus pensamentos estão cheios e minha alma vazia e comer descontroladamente não me ajuda mais, não me alivia mais. Mas porque eu não consigo simplesmente parar??? Onde está aquela garota inteligente?

Acho que essa é a parte mais difícil da doença para mim. Saber que faz muito mal e ver as consequências terríveis que já estão acontecendo no meu corpo, os efeitos negativos na família e filhos, as limitações profissionais e sociais (bom depois vou postar um pouco sobre como a bulimia tem me limitado em cada uma dessas áreas). Saber disso tudo e não conseguir ter força de vontade suficiente para mudar (como diria meu pai) me deixa brava e frustrada e isso acaba agravando ainda mais meu quadro. Acho que é isso que me faz sentir tanta vergonha em admitir que eu a tenho. Fora o fato dela ser uma coisa nojenta, correto? Vômitos, cabelos caindo, dente apodrecendo... nada é bonito na bulimia, nada mesmo. Eu invejo tanto, tanto, as pessoas que sabem lidar com o corpo que tem. Eu criei um medo de algo que sei (conscientemente) que ficaria mais bonito em mim (um corpo com mais curvas). Mas o pânico nem sempre é lógico...

Além disso, eu criei uma ilusão. Me viciei tanto na prática de comer e vomitar, que passei a utilizar a bulimia como uma válvula de escape para angústias, ansiedades, sofrimentos. Hoje, acho que até conseguiria começar a trabalhar com a mudança do meu corpo, mas ainda sou muito frágil emocionalmente. A bulimia para mim é uma espécie de fuga, válvula de escape, muleta, pois quando estou com qualquer problema é na bulimia que desconto: engulo tudo que estiver ao meu alcance, até a minha barriga ficar totalmente esticada (não é bonito, eu sei) e depois jogo fora, na forma de vômito, a angustia, a tristeza, a solidão, etc. O problema é que não está mais funcionando!!! Não fico mais aliviada e, além disso tudo, o preço que estou pagando é alto demais.

Quero me desfazer desse vício e dessa falsa sensação de conforto. Ela não se sustenta. É uma mentira que criei, assim como muitas mentiras que crio para mim mesma e para todos que finjo acreditar que não sabem o que tenho. Pessoas se curam da bulimia, tenho lido muito sobre isso. Eu serei uma delas. Tenho certeza que essa busca não vai ser fácil, nem bonita, nem vou estar sempre otimista, como hoje, na verdade, não estou. Mas quero tentar continuando, pois tentarei vomitar palavras para aprender a lidar com minhas emoções.

sábado, 26 de maio de 2012

Bulimia e internet

Olá pessoal, depois que eu decidi escrever esse blog comecei a fazer uma vasta pesquisa sobre bulimia. Sempre li bastante sobre o assunto, pois já tenho a doença há 20 anos (15 – 35 anos).  Nas minhas buscas pela internet, sempre procurei sites informativos sobre o assunto, pesquisas, etc.  No entanto, dessa vez, tentei encontrar outros blogs que tivessem o mesmo intuito que o meu: relatar a vivência negativa, pois ao falar sobre a luta contra a doença e a dificuldade de se viver com ela, talvez isso pudesse ajudar quem procura a recuperação.  Para minha surpresa, tive alguma dificuldade de achar esses sites.

Continuando minha busca, encontrei muitos blogs que fazem apologia aos transtornos alimentares: os denominados pro-ana ou pro-mia. Muitos deles são criados por jovens e possuem 'dicas' para emagrecer (ou seja, adoecer) mais rápido. Tentarei, ao relatar a minha luta contra a doença, não descrever técnicas que desenvolvi durante esses anos para forçar o vômito, disfarçar os sintomas e rastros da doença. Não acredito que a bulimia/anorexia seja um “estilo de vida”, pelo contrário, essa é uma forma lenta de se encontrar a morte.

Achei bem interessante um artigo que li da Nacional Eating Disoder Association que traz orientações para as pessoas que desejam compartilhar suas histórias de recuperação dos transtornos alimentares. Nele ele fala da importância do testemunho, na responsabilidade e no peso que ele tem. Quem quiser ler acho que vale a pena. Ele me trouxe algumas reflexões sobre como contar minha história e como tentar sempre deixar claro que o que trago aqui é algo pessoal. O que estou postando pode, sim, ter forte ligação com você, ou com algum conhecido. Mas lembre-se, é apenas um profissional que poderá te diagnosticar e te ajudar de verdade. Trocar informação pode ser bom, legal, pode aliviar as tensões, pode ser que nos ajude a encarar a solidão que é viver com a bulimia. Acredito que a informação é importante para lidarmos com a doença e buscarmos a cura. Contudo, conhecer os riscos por si só não são suficientes para dizer acabou, basta. O esforço é grande, é diário. Buscar ajuda profissional é fundamental.

Gostaria de compartilhar, ainda, um link para o artigo que fala de um estudo feito pela universidade norte americana Stanford University School of Medicine em colaboração com o Lucile Packard Children's Hospital sobre a influência da Internet sobre a anorexia e a bulimia nos jovens. O estudo mostra que as páginas e blogs pró-ana e pró-mia podem incentivar o aparecimento e desenvolvimento da doença.  De acordo com a pesquisa, não é apenas visitando essas páginas que se fica doente, mas o que lá está escrito pode contribuir para o início da doença ou para o seu agravamento. Claro que existem outros fatores envolvidos nesse processo.  Espero que gostem da leitura. 


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Mitos sobre os transtornos alimentares

Oi gente, publico hoje aqui os mitos mais comuns sobre os transtornos alimentares publicados pela National Eating Disorder Association. Veja o artigo completo aqui.  


Mito 1. Os transtornos alimentares (TA) não são uma doença - FALSO 
Mito 2. Os transtornos alimentares são raros - FALSO
Mito 3. Os transtornos alimentares são uma escolha do doente - FALSO
Mito 4. Só as jovens e mulheres podem ter transtornos alimentares - FALSO
Mito 5. Homens que sofrem de transtornos alimentares tendem a ser gay - FALSO
Mito 6. A anorexia nervosa é a única doença grave do comportamento alimentar - FALSO
Mito 7. Não se pode morrer de bulimia - FALSO
Mito 8. Os transtornos alimentares sem sintomas graves (não diagnosticados) não são graves-  FALSO
Mito 9. Fazer dieta é um comportamento normal (aceitável) do adolescente - FALSO
Mito 10. A anorexia é apenas uma dieta que 'deu para o torto' - FALSO
Mito 11. Uma pessoa com anorexia não come - FALSO
Mito 12. Pela aparência percebe-se sempre se uma pessoa sofre de um Transtorno Alimentar - FALSO
Mito 13. Os transtornos alimentares têm a ver com a aparência e com a beleza - FALSO
Mito 14. Os transtornos alimentares são causados por imagens não saudáveis e irrealistas divulgadas pelos meios de comunicação - FALSO
Mito 15. Apenas pessoas de nível socioeconómico elevado sofrem de transtornos alimentares -FALSO
Mito 16. A recuperação nas doenças do comportamento alimentar é rara - FALSO
Mito 17. As doenças do comportamento alimentar são meras tentativas para chamar a atenção - FALSO
Mito 18. Purgar/Vomitar é apenas expelir a comida - FALSO
Mito 19. Purgar ajuda a perder peso - FALSO
Mito 20. Se não estiver 'pele e osso' então não está doente - FALSO
Mito 21. Crianças com menos de 15 anos são muito novas para terem uma doença do comportamento alimentar - FALSO
Mito 22. Apenas se pode ter um tipo de doença do comportamento alimentar de cada vez -FALSO
Mito 23. Quando o peso normal é alcançado a anorexia está curada - FALSO 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Video alerta




Sim o vídeo é pesado. Algumas imagens podem ser manipuladas, mas outras não são. O que queremos??? Isso? Creio que NÃO. Certamente isso está longe de tudo que busco com meu transtorno. Hoje tenho certeza que a bulimia é algo muito mais complexo que apenas a busca de um corpo bonito, é algo muito muito mais complexo. O que estou engolindo? O que não ando digerindo? Não se trata apenas de alimento e muito menos de uma questão apenas estética. O vídeo fica como alerta!!! Lembrando o que não quero. Nem para meu corpo, nem para minha mente e nem para minha vida. 

Até breve.