segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A morte da criança - passo a passo


O que você quer? Perguntou meu analista? E eu respondi como se eu tivesse 15 anos, novamente. Não percebi, naquele momento, mas bastou eu sair da seção, para que eu percebesse que não era nada daquilo o que eu queria. Aquilo tudo era meu lado criança/adolescente gritando. Aquela criança que precisa ser morta, que ainda estou a matar...

Na seção eu comecei a falar de uma pessoa que ainda sonha com um casamento com sexo diário, selvagem e cheio de energia. Falei como seu eu quisesse isso para meu casamento. Na verdade, acredito que esse seja o sonho da adolescente que imagina que esse seria o casamento “perfeito”, do meu imaginário talvez... Onde teríamos energia para transar todos os dias e eu seria desejada independente do cansaço do dia-a-dia. Neste sonho, que eu descrevi, eu seria desejada, independente do mal humor, na verdade não haveria mal humor; eu seria procurada mesmo depois de um dia chato no trabalho (afinal de contas sexo é bom para desestressar); e transaríamos mesmo após as atividades diárias familiares (Cansaço? Que nada...).

Quanta ilusão!!! Que sonho mais infantil. E mais uma vez sinto a necessidade de “matar a criança” que mora em mim. Sei que parece confuso esse sentimento. Mesmo porque é confuso até dentro de mim. Mas é como se coexistissem dentro de mim duas pessoas, uma mais adulta e consciente e outra tão infantil e mimada com sonhos e ilusões. A segunda vive aparecendo, sem que eu a chame... está no meu subconsciente. A segunda quer agradar a todos, quer viver a ilusão de uma vida perfeita, de um sonho ridículo, em que todas as pessoas são boazinhas, o mundo é lindo e nada envelhece.

O que eu quero de fato? Eu, na minha essência, e não a minha criança? O que eu quero? Quero ser feliz, quero ser livre. Quero ter um homem do meu lado que seja livre. Quero parar de brincar de papai e mamãe. Quero crescer e me tornar uma mulher. Quero ser livre e caminhar ao lado de um homem livre. Quero respeito e ser capaz de respeitar todos a minha volta. Quero me aceitar e me reconhecer. Quero coragem para entender minhas limitações e conviver com elas todos dias, de forma serena.