quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O voo do beija-flor


Acabei de passar por uma mudança.  Uma mudança física, mudei de endereço. Nem preciso dizer o quanto mudanças são difíceis para mim, né? Tenho um pavor doentio e quase infantil de coisas novas. Tenho uma grande dificuldade de lidar com qualquer tipo de mudança. Para mim, a expectativa da mudança sempre é bem pior do que a mudança de fato, mas parece que eu sempre me esqueço disso a cada vez que eu tenho que passar por algo que está prestes a acontecer.  A sensação agora que comecei a me mexer é 100 mil vezes melhor do que quando estava paralisada, imaginando tudo de ruim que poderia acontecer nesta nova etapa da minha vida.

A minha mudança física veio paralela a milhões de outras mudanças que vêm acontecendo na minha vida. Talvez por isso ela tenha um significado especial. Durante muito tempo da minha vida fiquei parada, por medo. Mas também já corri desesperadamente pensando em alcançar o inalcançável. Minha sensação é que fiquei muito tempo correndo desesperadamente sem ir para lugar algum, assim como faz um hamster em sua rodinha de exercício. Quanto mais rápido eu corria, mais presa eu ficava na roda viva... Roda vida...  Roda presa...  Roda morte... E assim fiquei... Vinte anos.

Agora: uma esperança. Esperança de sair da roda da morte. Para que eu exercite a VIDA, no seu tempo, na sua velocidade. Não está sendo fácil. Me irrita ver tudo fora do lugar, caixas espalhadas, coisas a fazer. Me irrita, eu não ter dinheiro para comprar todos os móveis que eu desejo, todas os utensílios que eu gostaria de ter. Mas chega de birra e de mimo!!! Sou adulta e consciente das minhas limitações. Vou respirar o ar puro e escolher me divertir entre os caixotes espalhados e a bagunça ainda não arrumada.

Minha falta de paciência, minha dificuldade para tolerar o tempo, minha falta de respeito com o processo, minha incapacidade de suportar minhas limitações ficaram ainda mais evidentes.  Não há nada de errado em querer melhorar a condição atual, mas não aceitar o que sou, como estou, faz com que eu viva em sofrimento. Ao aceitar quem sou, como estou agora, sou invadida por um sentimento de gratitude pelo presente, isso me traz plenitude.

Bom, me mudei. Foi difícil. Fiquei quase paralisada no princípio. Agora estou lentamente desencaixotando tudo. Não importa se vai demorar mais que eu esperava para que a casa fique como eu quero. Já marquei um jantarzinho, com as 4 tacinhas de vinho que tenho, o resto das pessoas terão que ser virar com copos de requeijão.  Quando estou cansada, eu paro um pouco, vou para o quintal e curto o passarinho voando lindamente, sem pressa. As caixas não irão a lugar nenhum. Mas não quero perder o beija-flor dar seus lindos vôos pelo jardim!!!

Espero que este exercício da mudança renda frutos.  Que eu aceite também meu corpo, com suas limitações e suas imperfeições. Que eu não afaste os outros de perto de mim, apenas por achar que estou inadequada. Que eu curta o meu processo de mudança, que eu respeite meu tempo, meu limite, minha maturação, que eu consiga parar no meio do caminho, não para ficar paralisada, mas para viver, para sentir o ar fresco e curtir o vôo do beija-flor... 

2 comentários:

  1. Olá!
    Que interessante que você está de mudança... elas são realmente estressantes :/! Me mudei a vida toda e aprendi a acostumar com isso,mas arrumar e desarrumar é simplesmente cansativo. Lendo o texto, você parece um gatinho rsrs... muitos gatos são avessos a mudanças, se estressam, fogem e ficam ariscos com modificações no ambiente. Mas um tempo e se acostumam. E gatos são tão meigos!
    Você morava em casa antes? Porque se está indo agora, tem que curtir muito...morei a vida toda em casa e agora estou há tempos em um aquário, no meio do concreto, é exaustivo. Mas faz parte.

    Eu tbm tenho essas 'dicotomias', de querer algo maior - e não podemos nos censurar por isso. Mas também sabemos que estamos bem, isso é o 'curtir as coisas simples da vida'... mas parece que você está conseguindo (ou começando) a ver isso,e depois que a gente entende é ótimo! Eu demorei um tempo,mas agora sou quase Hare Krishna haha...

    ah, eu gostaria de lhe indicar um filme sul-coreano. É um filme meio 'bobo' (não tem lá um grande roteiro), mas a história pode te interessar. Eu gostei,de qualquer forma, é leve e 'fofo'. O nome é Noriko goes to Seoul (tem no youtube). É sobre uma mulher com 30 e tantos anos, que descobre estar doente. Ela é do Japão, é casada e tem uma filha. Mas adora um artista coreano e sonha em cantar perto dele. Então decide tirar um tempo para participar de um programa de calouros na coreia do sul (ela estuda coreano) para tentar ficar proxima desse cantor (que é jurado,se não me engano). Só que aí,para avançar na competição,ela conhece um menino que é ótimo cantor,mas não consegue encarar bem as provas. E ele tem problemas financeiros.E por aí vai...vale a pena :)! Fiz uma síntese imensa, o filme tem mais que isso,mas é bem legal :).

    Quanto ao blog que eu lhe falei (da garota que quer desenvolver TA),creio não ser muito interessante te indicar. Achei ele (ou creio ser o mesmo),mas esses blogs são muito pesados. Acho que quando for mais oportuno talvez será melhor. Eu sei como é ter muitas perturbações,e não quero lhe incomodar. Também não podemos abraçar o mundo,né?

    beijos e tudo de bom!

    ResponderExcluir
  2. Oi Mimi,

    bom te ver por aqui novamente. Vou assistir o filme, já até localizei no you tube.

    A mudança realmente foi extressante. Passei a vida toda morando em apartamento, agora é a primeira vez que vou para uma casa. Nos primeiros dias isso me assustou muito (ainda assusta), o espaço é bem maior e isso me dá um medo muito grande, parece que vou perder o controle (eu e minha mania de controle...). Em um local menorzinho temos a falsa sensação de controle, sabe? Enfim... a mudança está sendo uma aprendizagem, estou aprendendo a me desfazer dessas minhas crenças e aprendendo que existe outro mundo além do que eu acreditava.

    Espero que você esteja bem e esteja forte nos seus objetivos. Um super beijo para você, querida.

    ResponderExcluir