sexta-feira, 6 de julho de 2012

A bulimia e as fezes - novo uso para a privada


Eu queria falar sobre cocô. Eu sei que quase ninguém fala sobre isto, que este é um assunto tabu. Mas estou a algum tempo pensando no tema e como isso não sai da minha cabeça, resolvi escrever.  Antes de iniciar minha jornada rumo à recuperação, eu posso dizer que minhas fezes não eram, assim, “normais”. 

Dizem que pelas fezes é possível descobrir alguns problemas de saúde. Durante os últimos 20 anos, meu cocô nunca apresentou as características consideradas pelos profissionais de saúde como esperadas. Ou eu tinha prisão de ventre, ou eu tinha diarréia. Simples assim. Claro que eu não quis associar meus hábitos de evacuação com meu transtorno alimentar. Eu queria achar uma doença para meu problema. Outra doença, claro, pois assim eu não precisaria culpar a bulimia por estar me maltratando mais uma vez.

Fui a médicos, fiz muitos exames. Não encontrei outra doença. Encontrei, sim, um esôfago maltratado, início de uma úlcera, colo do intestino inflamado, etc... Mesmo depois de muitos, muitos exames, eu não conseguia me livrar do pensamento obsessivo de que eu tinha outra coisa. Sabia que meu mal estar não era normal, meu cocô não era normal, minha diarreia crônica ou meus longos períodos sem evacuar não podiam ser normais.

Achei que estava muito doente. Queria achar o motivo. Só que o motivo estava na minha cara. Eu sabia, mas não queria admitir. Mais uma vez estava “tampando o sol com a peneira”. Como os exames não apontaram nada, eu tive que me calar, mas volta e meia eu ainda buscava uma nova evidência para que pudesse levar a minha médica e perguntar “será que não é isso que eu tenho?”.  

Há mais de um mês, deixei de lado a busca obsessiva pela minha doença intestinal. Aceitei que tenho um transtorno alimentar e isso faz com que consiga enfrentar e lutar contra suas  consequências. Isso muda tudo, a começar pelo cocô!!!

Eu poderia fingir que a mudança do meu cocô está passando despercebida, mas não está!!! Nunca, nunca fui tão feliz ao evacuar. Eu sei... parece um exagero, mas fazer o que? Para mim está sendo assim, exageradamente, gratificante, comer, DIGERIR, e EVACUAR.  Eu sei, estou parecendo uma adolescente comemorando uma coisa tão primitiva. Mas estou feliz. Sinto-me VIVA. Meu cocô é a prova de que estou funcionado, deixei de sobreviver para viver, digerir, evacuar.

Posso buscar todas as razões psicológicas para estar evacuando de forma saudável, tenho conversado sobre este assunto com meu analista. Mas não posso deixar de levar em consideração os aspectos físicos. No último mês mudei bastante minha alimentação. Pela primeira vez, depois de 20 anos, estou comendo e mantendo o alimento dentro do meu corpo (antes eu vomitava todas as refeições que fazia). Agora, pela primeira vez, após 20 anos, existe no meu corpo comida para ser digerida, processada e evacuada.

Estou fazendo as pazes com a privada. Reaprendendo o utilizá-la. Dando um novo uso para ela. Um uso que me deixa mais feliz. 



2 comentários:

  1. Na minha família, falar de coco, xixi,etc, nunca é tabu :P... minha irmã faz medicina e fala disso toda hora (o pior é quando cuida os outros ¬¬). Então, acho que isso é algo muito positivo.Afinal,é tão natural, porque as pessoas tem medo?Falam muito de sexo,a tv mostra a toda hora,mas nunca mostrou alguem indo no banheiro ou fazendo exame de fezes ahahaha...
    Acho que é algo fundamental, levar a vida tranquila, esses assuntos serem conversados livremente...por incrivel que pareça é algo tão simples mas que nos faz tão mais humanos,naturais e até libera o estresse e a vontade da perfeição (porque tecnicamente me parece que pessoas perfeitas não cagam,vulgarmente falando,afinal, já vimos princesas em filmes fazer isso?). Eu não tenho vergonha de falar em público,e os outros que se danem;se não fazem eles é que deviam ter problemas Oo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. kkkkkkkkkkkk. Também adoro falar deste assunto, agora mais ainda, risos.

      Excluir